9.7.17

Lidos: Junho (2017)

Junho foi um mês bem legal de leituras - um monte de leitura legal. Quase sempre mantenho o ritmo de seis livros por mês, o que eu acho bem alto pelo tempo que eu tenho. Mas vamos aos livros:



#34 | Smoke and Mirrors | Neil Gaiman | EN | ★★★★☆
Mrs Whitaker found the Holy Grail; it was under a fur coat.
Eu fiquei bem receosa de começar esse livro, visto que minha última experiencia com um livro do Gaiman foi bem ruim. Fiquei bastante surpresa por ver que esse é muito bom e inclusive inédito no Brasil.
Acho que os contos aqui tem uma pegada mais fantasiosa e mesmo os que são contemporâneos tem uma pitada de realismo mágico. Acho que todos os contos foram muito legais de ler, mesmo os que eu não gostei. A maioria do que não gostei são em formato de poesias e eu achei meio cansativo. Ainda assim não senti vontade de pular.
Uma velhinha que encontra o Santo Graal no meio de um brechó e não quer dar a um cavaleiro que buscou por ele a vida toda porque fica bonito como decoração de vovó (Chivalry), um anjo caído contando sua história como detetive do céu, um moço que odeia viagens caindo num vórtice com algumas criaturas estranhas (Murder Misteries), um escritor que está em Los Angeles para escrever um roteiro para uma adaptação de um de seus livros (The Goldfish Pool and Other Stories), uma história sobre um casal que recebe um presente de casamento peculiar (The Wedding Present), a busca por uma moça que tem sempre a mesma aparência (Looking for the Girl), uma pessoa que quer matar outra, mas descobre que é mais barato matar mais algumas num pacote (We Can Get Them for You Wholesale) são minhas preferidas.
Adoro como o Neil Gaiman mistura temas perturbadores com um humor que te faz pensar se você realmente poderia estar rindo sem ser uma pessoa horrível (provavelmente não).

#35 | Em Algum Lugar Nas Estrelas | Clare Vanderpool | PT | ★★★☆☆
(...) os desesperados, digamos, por aquilo que acham que procuram, normalmente estão bem longe do que de fato estão procurando. É verdade, também, que às vezes eles não estão procurando nada, mas fugindo de alguma coisa. 
(...) 
- Mas, em algum momento, aquilo de que eles fogem os persegue até não haver mais para onde fugir.
Sinto que talvez eu seja a ultima pessoa no mundo a ler esse livro.
A história segue Jack, um menino órfão de mãe que é levado para um internato pelo pai que voltou da guerra e não sabe como lidar com um filho quase estranho. Nessa escola, ele encontra Early, um menino estranho e abandonado depois da morte do pai e do irmão. O menino é estranho e cheio de manias, como organizar balas de goma de certa maneira para se acalmar ou pensar e ouvir algumas músicas em certos dias. E sua busca pelo Pi, o número irracional que segundo ele só está perdido.
A narrativa tem uma certa beleza e a mensagem é sim uma gracinha. Perceber que todos carregamos nossos fardos nem sempre é mais fácil que julgar e sentir pena de si mesmo.
Ainda assim eu não gostei muito da maneira como a história se encerrou. Eu achei que ela iria por uma linha muito mais realismo mágico com paralelos sobre a jornada dos meninos em busca do Pi e a própria história do Pi que Early diz que consegue ver nos números e toda a mensagem. Achei que o final foi forçar um pouco a barra e fez perder um pouco da mágica.
Mas no final das contas é uma história bonitinha.

#36 | The Well of Ascention | Brandon Sanderson | EN | ★★★★★
"Yes, well," Elend said, "I kind of lost track of time..."
"For two hours?"
Elend nodded sheepishly. "There were books involved."
Sabe quando você lê 400 páginas e percebe que ainda falta metade do livro? Gente, fazia tempo que eu não lia um livro tão longo.
Não que isso seja um problema: a narrativa e a escrita do Brandon Sanderson são tão gostosas que fazem a gente nem perceber que já passaram tantas páginas.
Eu tive alguns problemas no começo do livro: eu já tinha lido o primeiro livro O Império Final fazia um tempo e ele possui muito vocabulário próprio do mundo e muitos personagens. Pra ajudar, eu ainda li em português, o que fez com que eu precisasse dar uma estudada nos termos de vez em quando para me lembrar de tudo.
Aqui continuamos um ano depois dos eventos do Império Final, aonde Elend está tentando fazer um governo justo pra todos em Luthadel. Já Vin esta preocupada em proteger seu rei de qualquer inimigo que apareça, que nesse caso são dois exércitos que chegam nos portões da cidade.
A gangue está formando planos para como ajudar na situação enquanto as brumas começam a aparentemente matar pessoas quando antes eram inofensivas.
Esse história me faz perceber o quão bem projetada ela foi antes de ser escrita. Eu gosto demais quando algum detalhe do primeiro livro da série é explicado lá pra frente e faz muito sentido. Meu lado de escritora fica super feliz com isso porque odeio quando as séries jogam um monte de pistas e depois não conseguem explicar.
Os personagens continuam humanos: com falhas porém amáveis.
Essa é uma série muito boa mesmo: tem ação, tem drama, tem romance, tem mistério, tem amizade, tem o pacote completo. E melhor de tudo é que o Brandon Sanderson não demora anos pra escrever as continuações (cof cof Patrick Rothfuss).



#37 | O Alquimista | Paulo Coelho | PT | ★★☆☆☆
- Estou vivo - disse ao rapaz, enquanto comia um prato de tâmaras na noite sem fogueiras e sem lua. - Enquanto estou comendo, não faço nada além de comer. Se estiver caminhando, apenas caminharei. Se tiver que lutar, será um dia tão bom para morrer como qualquer outro.
Paulo Coelho é o jiló da literatura brasileira. A maioria diz que não gosta, mas nunca leu. Eu sempre tive um certo preconceito com ele por causa disso, sempre achei que era bem ruim mesmo sem nunca ter lido uma página de sua escrita. Resolvi mudar essa situação lendo o livro mais famoso dele, O Alquimista.
O livro segue Santiago, um espanhol pastor de ovelhas que sai por ai buscando sua grande Lenda Pessoal. Apesar desse livro ser descrito como ficção, ele é um livro de auto-ajuda. E não é um bom livro de auto-ajuda, porque ele subestima a inteligencia do leitor e quer explicar tudo, sem deixar muito espaço para a reflexão, que na minha opinião é uma coisa boa da auto-ajuda.
Eu sinto que esse livro seria muito melhor se ele fosse uma ficção de verdade, com um arco narrativo bem construído, com personagens cativantes, com uma escrita boa. A história em si, o arco do personagem e as mensagens são bem válidas e interessantes - eu gostaria muito de ler uma história dessas, aonde eu torcesse pelo Santiago e pela sua jornada, aonde eu me apaixonasse por Fátima por ver o quão incrível ela era, mas tudo isso não mascara nem um pouco que aquele é um livro que quer te passar uma mensagem.
A escrita não ajuda também. O Paulo Coelho escreve diversas frases bonitas e coloca tudo junto e finge que isso é escrever um livro. Se você for olhar pelo lado "citacionável" da coisa, é um livro ótimo. Aliás, você pode tirar toda a história e só colocar as citações bonitas e motivacionais em tópicos e provavelmente perderia uns 10% do livro.
Eu sempre tento tirar algo das leituras, por mais que eu não goste. Nesse caso deu sim para refletir sobre algumas coisas, sobre o medo de seguir algo que você quer por causa dos obstáculos. Mas não me inspirou.
Não sei se tentarei ler algo do meu quase xará de sobrenome novamente. As vezes as pessoas realmente não gostam de jiló.

#38 | Histórias de Sherlock Holmes | Arthur Conan Doyle | PT | ★★★★☆
Foi numa tarde de domingo no início de setembro no ano de 1903 que recebi uma das mensagens lacônicas de Holmes:
Venha já se conveniente - se inconveniente venha também.
S. H.
Eu amo essa coleção da Zahar de clássicos de bolso e quero ter todos, mas ainda não li os que tenho em casa, então resolvi ler todos antes de continuar a coleção.
Esse é um livro de várias histórias do Holmes, os últimos casos dele, inclusive. O livro reúne 12 casos resolvidos dele junto com seu companheiro, Watson.
Sempre que eu leio os livros do Sherlock Holmes eu me impressiono com como a personalidade do Sherlock dos livros é completamente diferente das adaptações (tv, filmes, enfim). Enquanto as adaptações quase sempre mostram um Sherlock  rude, arrogante, cheio de si, o Sherlock dos livros é um recluso e um pouco estranho, mas nunca é uma pessoa ruim com as outras ou sem educação.
O John Watson também é bem diferente nos dois casos: quase sempre ele é retratado como incapaz, mas de bom coração, enquanto nos livros ele é um ajudante de verdade do Sherlock, mesmo não entendendo sempre a linha de raciocínio dele.
Os dois tem respeito um pelo outro e são muito amigos. Em um dos contos o Watson é ferido e o Sherlock fica em pânico, mostrando quanto realmente se importa com o companheiro. Não que as mudanças sejam uma coisa ruim, mas elas são tão diferentes que sempre que eu volto para o Sherlock da literatura eu tomo esse pequeno susto.

#39 | As Duas Torres | J. R. R. Tolkien | PT | ★★★★☆
- Quando é que fui apressado ou descuidado, eu que esperei e me preparei por tantos longos anos? - disse Aragorn.
- Nunca ainda. Então não tropece no final da estrada - respondeu Gandalf.
Voltando para minha leitura do Senhor dos Anéis, comecei o livro As Duas Torres, o segundo da trilogia.
Até voltei atrás pra ver como foi minha reação a ler o primeiro livro e acho que nada mudou muito. A escrita do Tolkien continua sendo algo que me incomoda muito. Percebi que a diagramação da edição que eu tenho também não contribui. A história é interessante, agora Boromir morre e a comitiva se separa.
Na primeira parte acompanhamos a comitiva separadamente: Aragorn, Gimli e Legolas estão seguindo os orcs que os atacaram e levam de refém seus amigos, Pippin e Merry. Os dois passam por vários problemas com os orcs que tem ordens de levar os hobbits para Saruman.
A história do Tolkien - do Senhor dos Anéis pelo menos - me lembra uma estrada com vários caminhos saindo dela e quando você está caminhando pela estrada você saí dela um pouco, vê o que tem no caminho e então volta. Nem sempre ele se relaciona diretamente (ou de qualquer maneira) com a história principal. O que pode fazer você perder um pouco a paciência na hora da leitura.
Na segunda parte vemos o Frodo e o Sam, rumando para Mordor por um caminho que eles não conhecem e arrumando um guia bem inesperado - Gollum (ou Smeagol).
Lendo o livro eu só conseguia pensar que tinha muito mais por trás daquilo tudo do que eu estava entendendo. De fato toda a mitologia que o Tolkien construiu é muito rica, cheia de simbolismos que nem sempre dá pra pegar se você não pensar bastante sobre aquilo ou ler algum texto de apoio.

11.6.17

buying ban: maio/2017 (01/06)


Saldo do mês:


O que eu comprei

- Cheirinho para o carro
- Meia-calça de lã
- Blusa térmica (substitui pela blusa que queria da lista)
- Segunda pele (substitui pela blusa que queria da lista)
- Hidratante (substituindo o que acabou)
- 1 legging (na lista)
- 1 porta livros

O que eu queria ter comprado

- Muitos livros, em especial: Cem anos de solidão, Y: O Ultimo Homem Volume 3, o resto da série napolitana da Elena Ferrante.
- Um oxford muito bonitinho


Aqui fica o registro do meu primeiro mês nos meus seis de buying ban. Posso falar que foi muito difícil? Mais do que eu achava que ia ser?

Aliás falhei no primeiro dia. Fui no supermercado com mamãe e compramos um peixe que veio PODRE (foi o pior cheiro que já senti na vida e olha que já fiquei na marginal pinheiros num dia de sol). Ai voltamos e ganhamos um vale para trocar. Minha mãe comprou umas coisas e sobrou um tanto. Rodamos a loja pra ver o que achávamos e peguei um cheirinho pro carro, porque desde que comprei o carro queria ter um cheirinho e nunca comprei. No final, gastei 3 reais e depois que coloquei no carro lembrei que eu não podia ter comprado aquilo. Isso foi dia primeiro de Maio. Risos.

Acho que serviu pra eu perceber que muitas vezes eu comprava coisas sem perceber. Passa o cartão, tira nota da carteira. Pronto. No final vi que eu tinha zero consciência das minhas compras.

A parte difícil: eliminar influencias externas. Eu comecei a tirar qualquer loja que me mandava email (inclusive amazon) com promoções e produtos. Só que eu percebi que essa é só uma pedrinha de gelo do iceberg gigante que é nossa cultura de consumo. É blog que você entra te vendendo coisa sem você saber, é canal de youtube fazendo haul de tudo que você imagina e amigos recomendando tal coisa.

Um dia eu abri o instastories e vi uma moça que sigo, falando que uma loja no shopping estava em promoção de sapatos. Ai ela mostrou um oxford lindo, que eu queria muito, pela metade do preço. Meu primeiro pensamento foi: quando eu for no shopping comprar presentes eu dou uma olhada. Ai eu parei e lembrei que não podia comprar.

É engraçado essa sensação que senti logo depois: um mini pânico de que eu estaria perdendo aquilo e talvez eu deveria comprar, afinal quando ia ter promoção mais uma vez? Então eu lembrei: eu não preciso de um sapato novo.

Outra coisa, a mais difícil, foi me controlar para não comprar livros. Eu li "O Amor nos tempos do cólera" e queria ler os Cem anos de solidão do Gabriel Garcia Maques. Mas fiquei me controlando para não comprar, porque eu não podia. Eu quase comprei numa loja física, cheguei a pegar na mão e fui buscar o preço. Apenas 75 dinheiros. Larguei em uma prateleira. Pelo menos não comprei.

Nossa mente já é programada pra consumir e se a gente não se esforça pra perceber, é capaz de sucumbir aos desejos.

Uma das coisas que eu comprei, pois não foi por impulso e também acho que não entra no quesito "coisas": passagem de avião e hospedagem no chile! Eu e minha prima estávamos pensando em ir pro chile nas férias dela e acabamos fechando. Fizemos tudo bem economicamente: comprei as passagens com pontos e só paguei as taxas. A hospedagem vai ser num airbnb e gastamos 400 reais cada uma para dez dias.

Acho que a viagem vai me ajudar, pelo menos até final de Agosto a economizar. Principalmente porque eu preciso guardar dinheiro para ir pra lá tranquila.

Outras coisas que comprei fora do planejado: meia de fleece (que tem pelinho dentro) e blusas térmicas. Eu aproveitei para comprar para viajar, pois minha prima vinha me visitar e só precisaríamos ir na loja uma vez. No começo já pensei: preciso comprar duas segunda pele, duas térmicas, uma calça térmica, luvas. E só usar quando fosse viajar.

Ai me perguntei:
1) Pra que tudo isso? Eu poderia usar uma segunda pele apenas e uma blusa térmica. De noite eu tiro e deixo arejando. E eu comprei uma meia calça fleece pra não ter que comprar uma calça térmica. No pior dos casos, se eu sentir muito frio, posso comprar uma calça lá.

2) Porque esperar pra usar? Eu sei que a gente não quer estragar as coisas, mas se elas fossem de qualidade eu poderia usar e elas não estragariam (fora que a gente já pega as "manhas" da roupa, vê com o que fica melhor, etc).
Também decidi que eu só compraria se eu pudesse de fato usar com minhas roupas normais. Nada super colorido para neve que eu ia usar uma vez a cada três anos.

Aí como comprei essas blusas, risquei da minha lista a blusa de frio que tinha me planejado para comprar.

Ou seja: foi difícil. Eu comprei coisas fora do que precisava e da lista também.

De impulsiva comprei o cheirinho do carro e o porta livros de quando fui no castelo rá-tim-bum. No segundo, fiquei com medo de não poder comprar de outro jeito (não conseguiria mesmo). Mas também não precisava, porém estou me forçando a usar de qualquer jeito haha.

E infelizmente eu percebi que gastei muito com saídas para comer, principalmente porque recebi visitas, saí com amigas, fui passear, enfim. Quando é dessa parte de sair, normalmente eu não controlo porque gasto pouco, ou seja, acabei gastando muito. E eu percebi que tenho dificuldade em falar não pras pessoas, principalmente quando eu não vejo essas pessoas a muito tempo.

Ai também veio outro gasto alto: renovar carteira de motorista. Esse era um gasto completamente não planejado pois: achava que faltavam anos pra vencer haha. Se não tivessem mandado carta eu ia ficar ANOS dirigindo com a habilitação vencida. Mas renovei e menos 150 reais no meu bolso. Ouch.

No fim das contas, não posso falar que eu fui super bem sucedida, mas também não posso falar que eu falhei totalmente. Comprei zero livros esse mês e pra ser sincera, já não fico a louca das lojas online e chorando que quero comprar tudo.

Sinto que a alguns meses atrás eu daria ombros, falaria "at least i tried" e me recompensaria gastando todo o salário em livros e coisas que não preciso. Mas eu fiquei contente com esse mês, porque apesar de falhar, eu aprendi muito sobre mim mesma e quero muito ser bem sucedida no mês de junho. Então vamos continuar.

5.6.17

It's like forgetting the words to your favorite song








Outro dia, passando pelo twitter, vi uma booktuber que eu sigo, postando sobre como uma autora (que ela gosta) viu a luz e não é mais amiga de uma outra autora (que ela detesta). Essa e outra moça não perdem a oportunidade de alfinetar essa tal autora que elas odeiam. Vi uma que quase não leu um livro que ela amou porque tinha uma indicação da tal autora.

Já tinha visto essa implicação e ficado muito brava, mas dessa vez, a única coisa que consegui pensar foi: Que perda de tempo, passar horas seguindo e buscando sobre uma coisa que você não gosta.

É bem engraçado isso, como a gente gosta de alimentar esse ódio que sentimos por algo. Eu percebi que mesmo me irritando pelas atitudes das pessoas, de blogueiras, influenciadores, celebridades, amigos, família, eu gostava de seguir a pessoa, ver ela fazendo uma coisa que eu não gostava e ainda ficar reclamando sobre isso.

Fiquei pensando quanto tempo a gente não perde com isso, com coisas tão desnecessárias para a nossa vida, quando podíamos estar atrás de algo que a gente gosta, que faz bem pra gente ou que nos faz feliz. É claro que é gostoso falar mal e reclamar, mas e aí? Pra quê isso serve?

Não posso falar que eu não faço isso jamais, que eu sou um ser iluminado que não fala mal de nada e de ninguém, que só gasto meu tempo com coisas produtivas. Ainda estou num processo de mudança, mas só de não sentir raiva da moça, de pensar que aquilo era bem inútil e que ela podia estar fazendo outras coisas mais legais, eu vi que também não estou igual era a um tempo atrás.

E isso tem me incomodado bastante, não só na internet, mas na vida em geral. Percebo que passo muito menos tempo reclamando de algo e simplesmente ignorando quando eu posso. Que eu não entro mais em conversas e evito pessoas que amam falar mal uma das outras e prefiro ficar na minha.

E eu sinto que isso tem me ajudado bastante a viver uma vida melhor. Percebi que passava muito tempo com essa negatividade sempre comigo. Que eu ficava com medo dessas pessoas que falavam mal de todo mundo, poderiam também falar mal de mim.

Como eu disse, eu não sou uma santa que mudou completamente e nem quero ser. Mas fico feliz por pensar que esse ano está sendo maravilhoso e que minha vida está mudando tanto assim.

(Post espontâneo que nasceu quando eu devia estar fazendo faxina no quarto e as respectivas fotos da faxina. Algumas coisas nunca mudam.)

1.6.17

Lidos: Maio (2017)

Mais um mês, mais um lidos. Esse mês foi um mês ok. Eu comecei um diário de leituras, um caderninho que eu vou anotando todos os meus pensamentos bagunçados sobre as leituras que eu estou fazendo.

Estou sentindo que minha relação com a leitura anda mudando um pouco também. Eu não estou tão concentrada em números e sim em tirar o máximo possível de um livro. Talvez tenha sido um dos livros que eu li esse mês, que me fez sair da caixinha e pensar incessantemente sobre ele.
Enfim, vamos:


#30 | A Court of Wings and Ruin | S.J. Maas | EN | ★★★☆☆
Esse era um dos livros mais esperados (senão o mais esperado) por mim esse ano. Terminar a saga da Feyre nesse ultimo livro foi legal. Ainda assim, sinto que me decepcionei com algumas coisas e evolui o suficiente como leitora para não conseguir deixar algumas coisas de lado.
Achei que a narrativa do começo do livro ficou um pouco preguiçosa. Tudo era contado ao invés de mostrado, o que fez com que eu não sentisse nem metade do desespero que eu deveria ter sentido. Mais pro meio do livro ela melhora, mas sinto que grandes partes foram cortadas então ficam uns buracos no meio. O final foi bem rápido também. Meio anti-climático.
Fiquei um pouco irritada com os personagens. Feyre, no começo, ficava sempre falando para si mesma o quão poderosa ela era, o quão rápido ela podia terminar com tudo e no fim, quando precisa mostrar mesmo, ela não dá metade do que promete. As irmãs da Feyre foram minhas preferidas. Gostei muito delas, juntamente com o Cassian e o Azriel (meus bebês lindos). E Amren, é claro. Acho que a Amren é uma das minhas personagens preferidas do mundo literário. Quero muito ler um livro só dela.
Agora Mor e Rhys. Ah, que decepção. Depois de ver que o Rhys é bonzinho, parece que a Sarah J Maas falou: ok, agora ele vai ser reduzido a par romântico e sedutor. Ele e a Feyre não tem discussões, os dois fazem sucessões de merda e o outro deixa passar e defende a qualquer custo. Isso não é legal gente, você pode discordar das pessoas que você ama.
E a Mor. Olha, gostei do caminho que a personagem dela (parece) que vai tomar. Ainda assim tem uma parte ali que me fez querer jogar o livro na parede.
Eu acho que o problema com os personagens do livro não é o fato deles terem falhas e sim das outras pessoas não brigarem com elas ou falarem umas verdades na cara delas quando elas são horríveis. Pareceu alguma coisa como "vamos ser horríveis e tudo bem, porque somos uma família." Não.
Eu gosto de personagens com falhas, personagens que tem uma moral meio cinza. Mas também gosto de personagens que falam a verdade um pro outro.
Achei que o Tamlin está caminhando para uma redenção, o que foi bom do ponto de mostrar que ele não é totalmente mal. O Lucien se redimiu um pouco, mas pelo visto ainda tem chão.
Ficaram muitas pontas soltas. Acho que vão ser lançados mais 5 livros, todos únicos, mas todos sobre esse universo. Pelo que entendi vão ser focados em casais diferentes. Não sei muito bem como me sinto sobre isso, me parece que é ficar tirando leite de pedra. (E ainda assim estou super animada com o livro do Azriel e do Cassian?)
Como final de uma trilogia, foi apenas satisfatório.



#31 | O Amor Nos Tempos do Cólera | Gabriel Garcia Marques | PT | ★★★★★
Quando eu comecei o livro, eu sabia pouco sobre ele. Então eu tinha algumas concepções erradas.
Primeiro: eu achei que seria muito mais complicado de ler. De fato, a linguagem desse livro não é tão simples, o narrador é prolixo e nem tudo segue uma ordem cronológica. Ainda assim, eu percebi que passando a primeira barreira da leitura, quando eu mergulhava na leitura, ela fluía de uma maneira excepcional.
Segundo: eu achava que essa era uma história de amor romântico e bonitinho. Pra mim essa é uma história tão romântica quanto O Morro dos Ventos Uivantes. Ou seja, não é. Acompanhamos várias formas de amar nesse livro e vemos que nem sempre elas são saudáveis. Vemos que nem sempre o amor é aquela coisa bonita, simples e descomplicada que aparecem nas novelas, filmes e livros. O amor é cru, feio e ciumento. Ele é persistente e obstinado. E nem sempre ele é correspondido.
No livro, acompanhamos três personagens: doutor Juvenal Urbino, Fermina Daza e Florentino Ariza. Quando mais novos, Fermina Daza e Florentino Ariza ficaram noivos, da maneira como era antigamente: sem trocar palavras pessoalmente, apenas por cartas e durante muito tempo. Fermina Daza acaba se casando com um médico, doutor Urbino. E então se passam cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias até que eles voltem a conversar.
Uma das coisas que gosto de fazer depois de ler clássicos é ler a opinião alheia. Assistir vídeos, ver resenhas, dissecar mesmo. Nesse caso, não achei muito material, apesar de muitas resenhas serem oito ou oitenta: ame-o ou odeie-o. Eu entendo os dois casos.
Os personagens não são perfeitos, assim como nós não somos perfeitos. O amor não é perfeito. Tem muitas coisas que acontecem no livro que fazem você desgostar um pouco (ou até odiar) os personagens. No fundo, esse não é um livro pra se amar ou odiar as pessoas nele e sim refletir. E ele me fez refletir muito.
Sinto que essa resenha ficou nada concisa.



#32 | The Thief | Megan Whalen Turner | EN | ★★★☆☆
Eu me interessei por essa série quando uma moça que odeia tudo no Goodreads disse que era boa. Por coincidência, ou destino, fica a gosto do leitor, no dia seguinte eu encontrei os dois primeiros livros da série por dez golpinhos cada no sebinho TLT.
Enquanto na maioria das vezes sou a primeira opção dizendo "que coincidência" e revirando os olhos para qualquer menção sobre uma força maior que guia a todos nós. Mas, algumas raras vezes eu encarno uma segunda Natalia, que acredita em destino, que considera a existencia de outros planos e na força do universo. Foi essa Natalia que comprou os dois livro.
Esse primeiro livro segue Gen, um ladrão nada discreto que acaba preso por não conseguir manter a boca fechada. Depois de algum tempo preso, ele é solto pelo Magus, um conselheiro do rei, para roubar alguma coisa muito importante.
É importante dizer que esse livro, o primeiro, é descrito como o mais fraco da série. Pra ser sincera, até o meio do livro ele é bem chato. São muitas coisas repetitivas, muita interação que você não entende. Da metade até uns 95% fica ok. E os últimos 5% fizeram ele ganhar duas estrelas. Sabe aquele gif do Andy de Parks & Recreations? Fui eu lendo esse final.
A construção de mundo é bem interessante. Acho que faltou um mapinha nessa edição pra poder entender melhor todas as andanças que aconteceram. Eu gostei como ocorrem inserções de histórias mitológicas dentro da história e de como essas histórias tem pequenas variações de povo para povo.
Acho que o final faz toda a história e os personagens fazerem muito mais sentido. Deu pra soltar aquele "ahhhh" de satisfação quando tudo faz sentido sabe?
Fiquei interessada para ler mais sobre esse mundo.



#33 | The Queen of Attolia | Megan Whalen Turner | EN | ★★★★★
Gente, que livro foi esse? Além de ter melhorado a narrativa e a escrita, esse livro foi muito mais adulto.
O livro começa mais ou menos um ano depois do final do outro, numa sequencia que parece bem confusa no começo e bem chocante no final. Novamente a autora usa bastante uma narrativa que esconde coisas do leitor e que quando você entende tudo fica surpreso e contente.
Nesse livro pudemos conhecer melhor os personagens, que no primeiro não foram bem explorados. Gen sofre uma mudança terrível e a maneira como seu personagem reage a isso é bem interessante. Conhecemos mais das rainhas de Attolia e de Eddis, o próprio pai do Gen também participa do livro.
A autora continua inserindo fábulas e lendas daquele mundo no meio da história, o que é muito legal. Novamente faltou um mapa na edição pra poder entender o mundo, porque agora conhecemos mais nações e países, o que torna muito difícil acompanhar tudo.
Esse livro, e talvez essa série toda, é bem diferente de outras séries que eu já li de fantasia. Ela tem quase um ar de fábula/história épica, sabe? Como uma história grega, aonde tudo acontece, os deuses estão ali presentes, um grande espaço de tempo de passa, a gente tem uma visão bem básica dos personagens, mas nada muito aprofundado e ela tem aquele ar de magia mesmo, sabem? Não sei explicar direito, mas talvez alguém entenda.
Ou seja, talvez não seja uma série pra todo mundo, com certeza não é uma série como Game of Thrones ou O Nome do Vento ou qualquer outra série que eu já li que segue personagens e seus dilemas morais e o dia-a-dia.
Quero muito ler os outros livros, mas como quero diminuir os livros sem ler na estante, vou esperar um pouco antes de continuar!


Segundo o goodreads estou adiantada na minha meta, ou seja: yey.

30.4.17

Lidos: Abril (2017)

Abril de 2017 com certeza foi um mês de experiencias, pelo menos no campo de leituras. Terminei um livro que até o goodreads me parabenizou, de tanto tempo que tava parado na estante sendo lido. Li livros sobre felicidade dinamarquesa, sobre sonhadores e uma proza linda (apesar de odiar a edição), li livros em espanhol, ouvi livros enquanto caminhava e revisitei uma das minhas histórias preferidas.




#24 | Alerta de Risco | Neil Gaiman | PT | ★☆☆☆☆
Ícaro! Não é que tenha esquecido todos os nomes. Lembro-me de Ícaro. Voou próximo demais do sol. Entretanto, nas histórias, valeu a pena. Sempre vale a pensa tentar, mesmo quando falahamos, mesmo que você entre em eterna queda livre como um meteoro. Melhor ter ardido na escuridão, ter inspirado outros, ter vivido, do que ter ficado sentado nas trevas, amaldiçoando aqueles que tomaram emprestado sua vela e não a devolveram.
Eu sinto que os livros do Neil Gaiman para mim são ou muito bons ou muito ruins. Acho que essa coletânea de contos reflete bem isso, pois enquanto eu gostei muito de alguns, eu mal consegui terminar (ou entender) os outros. A nota foi proporcional aos contos que eu gostei. Ou seja.
Para ser bem sincera, não li todos. Eu comecei bastante entusiasmada, mas para ter uma ideia, acho que comecei a ler em Novembro do ano passado e só consegui "terminar" agora, pois fui me forçando a ler um por dia (ou por semana de vez em quando).
Eu senti que a maioria dos contos eram ideias jogadas que não faziam muito sentido e que eu não me importava muito. Eu tenho problemas com contos, já falei isso antes, mas senti que esse livro foi bem difícil mesmo.
Tive alguns favoritos: Xique xaque de chocalhos e caso de morte e mel. Sim, só esses. Por isso a 1 estrela.
Sobre um livro de contos: prefiro coisas frágeis, que me pareceu menos espalhado e mais coeso. Ainda quero ler o Smoke and Mirrors, que já falaram que é a melhor coleção dele. Vou ser sincera que depois desse, estou com um pouco de medo.

#25 | The Little Book of Hygge | Meik Wiking | EN | ★★☆☆☆
Would we still feel love if we had no word for it? Of course we would. But what would the world be like if we had no word for marriage? Our words and language shape our hopes and dreams for the future –and our dreams for the future shape how we act today.
Não sei muito bem o que falar desse livro, mas vamos tentar.
O livro fala sobre Hygge, um sentimento/conceito/ato cultural dos dinamarqueses. O conceito da palavra é intraduzível. Ao ler o livro você sabe sobre o que ele está falando, mas não sabe como explicar. Posso tentar, mas se o próprio autor do livro não consegue, não tenho certeza de que vou ser muito melhor.
Hygge é sobre um estilo de vida, uma maneira de ver a vida, torná-la confortável, casual, simples, gostosa, feliz. É sobre aproveitar pequenos momentos com amigos, família ou sozinho. Sobre acender uma vela, ler um livro, tomar um cházinho e aproveitar aqueles momentos de felicidade.
É o melhor que eu consigo fazer.
O livro explica um pouco de todos os elementos que podem tornar sua vida mais hyggeista: velas, cobertores, almofadas, encontro com os amigos, jogos de tabuleiros, fazer e comer o que se gosta e aproveitar a vida num geral. O livro também tem receitas interessantes, fotografias muito bonitas, uma edição linda (li em ebook mas já era bem bonito assim).
Ele faz um paralelo de como a Dinamarca já ganhou muitas vezes o troféu de pessoas mais felizes do mundo. Enquanto eu não tenho certeza se o Hygge pode receber todo crédito, afinal um estado que funciona, ensinos públicos de qualidade, assim como saúde e transporte, e no final até a mentalidade das pessoas que moram lá também são uma grande parte da razão, acho que a mentalidade do hygge é um diferencial que todos aproveitamos, mas talvez não tão culturalmente quanto os dinamarqueses.
Acho que algumas dicas são válidas, pontos que eu tinha pensado, mas não tinha considerado que poderiam influir tanto na minha felicidade. É claro que é difícil ter uma vida mais hygge quando você não mora em uma sociedade que entende isso ou que não está preocupada com o bem estar das outras pessoas. Ainda assim, vale a pena sonhar.
Ele não deu nenhuma informação nova que fez minha cabeça estrelar e falar: isso é genial! Mas valeu pelas histórias culturais da Dinamarca.

#26 | Strange the Dreamer | Laini Taylor | EN | ★★★★★
“You’re a storyteller. Dream up something wild and improbable," she pleaded. "Something beautiful and full of monsters."
“Beautiful and full of monsters?"
“All the best stories are.”
Os livros da Laini Taylor que li até agora, tem o mesmo feeling. Parecem uma colcha de retalhos, aonde ela vai mostrando um pedacinho, depois outro, depois outro. No fim, ela puxa a linha e tudo se junta e você fica com aquela cara de: aaaaaaaah taaaaa.
A história segue Lazlo Strange, um órfão com uma vida dura e que tem um objetivo de vida: descobrir tudo que pode sobre Weep ou The Unseen City, uma cidade misteriosa de histórias que eram contadas para ele quando ele era pequeno até que o seu nome foi roubado (sim, o nome da cidade desapareceu da mente de todos). Ele então sonha com o dia em que poderá ver a magia, afinal apenas magia pode apagar o nome de uma cidade inteira e conhecer sua cidade dos sonhos.
Anos depois, ele tem a oportunidade de ir até esse lugar e ver tudo por si mesmo.
Não tem como falar de um livro dessa autora sem falar da escrita dela. É uma escrita tão bonita, na medida certa, que não consigo nem me explicar direito. Pra mim é no nível da Stiefvater.
Os personagens são muito legais e bem construídos, os livros dela te fazem querer saber sobre todos os personagens, mesmo os secundários, o que não é todo autor que consegue fazer. Gosto como os personagens não são bons ou maus. Eles fazem coisas boas e coisas horríveis e as explicações são convincentes, te deixando encima do muro.
A criação de mundo não é muito bem explicada, mas o livro não precisa de explicações como outros desse tipo para fazer sentido (por exemplo, você precisa entender como os bruxos vivem para que alguns eventos de Harry Potter façam sentido). Acho que nem é o propósito dele.
A narrativa, como eu disse, vai sendo construída aos poucos, alguns eventos aqui, outros ali, talvez pareça arrastada, mas acho que no final tudo faz sentido.
O livro, que acho que faz parte de uma duologia, termina de fazer você querer o próximo agora. (O que é péssimo pois acho que o próximo só ano que vem).
Um adendo: eu comprei o livro pela pré-venda da amazon e achei a edição horrível. As letras são tão grandes que um cego consegue ler. Ai descobri que tem uma edição especial chamada Large Print, que é, sim, Large. Fiquem de olho pois é bem ruim de ler.



#27 | La Sombra Del Viento | Carlos Ruiz Záfon | ES | ★★★★☆
- Este lugar es un misterio, Daniel, un santuario. Cada libro, cada tomo que ves, tiene alma. El alma de quien lo escribió, y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con él. Cada vez que un libro cambia de manos, cada vez que alguien desliza la mirada por sus páginas, su espíritu crece y se hace fuerte. 
Lembra quando no começo do ano coloquei como meta ler um livro em francês? Então, não aconteceu ainda. Mas posso dizer com todo orgulho do mundo que terminei um livro em espanhol!
(muita comemoração)
Uma historinha: meu pai é argentino mas nós (eu e meu irmão) nunca aprendemos espanhol porque meus pais achavam que a gente ia se confundir muito. Mas por ele falar um português meio enrolado eu sempre entendi bem espanhol (menos quando falam rápido. sério, é impossível). Então eu decidi que leria um livro em espanhol e pá. Cá estamos.
A história do livro fala sobre Daniel Sempere, um menino que mora em Barcelona logo após a guerra civil espanhola, com seu pai. Um dia, seu pai o leva em segredo para a Biblioteca dos Livros Esquecidos e diz para que ele pegue um livro e cuide dele para sempre. Ele escolhe o livro A sombra do vento e o devora. O escritor é Julian Carax, um homem misterioso e meio fracassado, mas cujo os livros são objeto de desejo de uma pessoa muito peculiar e não por um motivo bom: ele deseja queimar todos os livros do autor.
Uma das coisas que sempre falam sobre esse livro é que ele parece uma matrioska, aquelas bonecas russas que vão se abrindo. Isso, com certeza, é uma verdade grande em termos de narrativa: vemos a história não só de Daniel, mas também do próprio Carax, enquanto o protagonista procura os segredos do autor. Vamos descobrindo histórias de todos os personagens, muitas vezes eu ficava de boca aberta, surpresa com o quanto tudo era entrelaçado.
Amei também os paralelos entre a história do Julian Carax e do Daniel, amo essa ideia de histórias e ciclos que se repetem.
A história é um pouco de tudo: tem romance, tem mistério, tem um toque de fantasia. Acho que ela funciona muito bem para o que se propôs. É tudo tão bem narrado e não juntinho que muitas horas eu dava uns berros de QUE? Porque era uns plot twists sem fim que eu achava que estava lendo errado ou não tinha entendido.
Sobre a leitura em espanhol: foi mais difícil do que eu esperava. Me senti lendo em inglês pela primeira vez novamente e lembrei de quanto eu sofri. Por esse motivo, eu demorei mais tempo para ler do que eu normalmente demoro.
E eu senti que precisei me "forçar" a ler. Não que o livro fosse ruim, mas eu me sentia tão cansada depois de ler, que eu evitava pegar esse livro. Quero reler ele.


#28 | Harry Potter and The Sorcerer's Stone | J. K. Rowling | EN | ★★★★★
“The truth." Dumbledore sighed. "It is a beautiful and terrible thing, and should therefore be treated with great caution.
O que falar de Harry Potter? Acho que nessa altura, todos já leram ou viram ou tem uma opinião formada.
Pra mim, reler Harry Potter é sempre um prazer. Eu amo reentrar no mundo criado pela J.K., amo rever personagens que eu sou apegada, amo revisitar Hogwarts.
Nessa releitura, eu prestei atenção em detalhes que me fugiram das outras. É engraçado reler sabendo tudo o que tem pela frente. Continuo achando que sem a Hermione eles tinham morrido no primeiro livro. Aliás, tem uma passagem, de quando eles encontram o troll nas masmorras, que define bem todos os livros: "Harry then did something that was both very brave and very stupid". 
Dessa vez, eu li na minha edição ilustrada (ganho uma a cada Natal!) e foi demais. Acho que ajuda muito que as ilustrações do Jim Kay tem um ar quase mágico, cheia de detalhes, refletindo bem a história. Só poderiam ter mas ilustrações. Ajuda que o texto é integral. Só quero ver o tamanho do tijolo que vai ficar A Ordem da Fenix e O Principe Mestiço.

#29 | The Handmaid's Tale | Margaret Atwood | EN | ★★★★★
Nolite te bastardes carborundorum. Don't let the bastards grind you down.
Além do meu primeiro livro em espanhol, também "li" meu primeiro audiobook.
Eu sempre tive um receio com audiobooks, porque eu me distraio fácil, não consigo prestar atenção e achava que eu não ia ter tempo de ficar ouvindo. A verdade é que no começo é difícil prestar atenção enquanto se faz outras coisas, mas talvez seja o mesmo sentimento quando estamos começando um livro e ainda não "mergulhamos". Depois de me interessar na história, eu ficava tão vidrada que era até perigoso. E sobre o tempo: não tinha ideia de quanto tempo sem fazer nada eu tinha. Entre ir e voltar do trabalho, caminhar e almoçar, etc, li o livro em menos de uma semana.
Isso que eu não me forcei: gosto de ouvir música também e nos dias que não estava afim, eu deixava de lado. Enfim, me animei pra ouvir mais livros!
Uma parte engraçada sobre esse livro: dentro da narrativa, a personagem principal diz que essa é uma história contada e não escrita, pois ela não tem com o que escrever e é proibido que mulheres leiam. Achei uma coincidência legal, estar ouvindo!
Sobre a história:
Aqui acompanhamos Offred (literalmente Of Fred - Do Fred), uma moça que vive como Aia, cujo único trabalho é ter filhos.
Se passa num futuro distópico, não muito no futuro (e pra ser sincera tem umas coisas tão perto da realidade que dá medo) onde um atentado terrorista fez com que a sociedade se feche para um culto religioso e seja completamente reestruturada.
Diferente de algumas outras distopias que li, essa não se passa quando todos já estão inseridos e aceitam, nem se lembrar de como era a sociedade antes daquilo. Offred lembra como era sua vida antes, com seu marido e sua filha, então é muito mais doloroso para ela, lembrar tudo o que ela perdeu e como tudo mudou. Foi interessante.
Foi difícil entrar no mundo, principalmente entender as explicação no começo, acho que principalmente por ser um audiobook. As mulheres são divididas em cores que usam: azul para esposas, verde para Marthas, ou serventes e vermelho para as aias, as handmaids.
Foi estranho ver a Offred, que ao mesmo tempo que se lembra como é ser livre e que deseja isso, também é um pouco doutrinada nessa religião e tem pensamentos contraditórios. Acho que isso é interessante pra quem pensa que seria diferentão e não teria o mesmo pensamento que a maioria.
O livro é muito interessante. Eu me via querendo sair para andar e colocar o fone para ouvir a história, curiosa com a história da Offred.
Os outros personagens são pouco explorados, pois é tudo contado em primeira pessoa e a própria Offred se distancia o máximo possivel da realidade. Ainda assim, temos bons vislumbres de Maura, de Luke, de Serena Joy, do Commander, Nick e até mesmo da Ofglen. Gosto dos livros de primeira pessoa pois ficamos tão perdida quando a protagonista, nos sujeitando a visão dela das coisas.
O final foi muito supre endente pra mim. Quero ler o livro de papel para poder pegar todos os detalhes. E quero muito assistir a série de tv!

24.4.17

Um ban de compras - O começo

Pode ser que eu me arrependa muito de tudo isso? Pode sim. Ainda assim, como muitas pessoas andam me falando, o não a gente já tem. É incrível a quantidade de coisas que a gente SABE, mas que não consegue realmente por em prática.

Eu resolvi ficar 6 meses em um shopping ban. Eu já estava adotando um estilo de vida minimalista fazia um pouco mais de um mês, no qual eu já reduzi muito minhas compras. Posso dizer que gostei do resultado até agora. Então resolvi fazer isso, não só pra economizar dinheiro, mas para ter uma consciência maior de tudo que eu compro e consumo.

Eu tentei fazer isso outras vezes, mas não me planejei e entrei com a mentalidade de "não posso comprar NADA". E é claro que falhei. O fato é: tem coisas que eu uso todo o dia e que eu preciso. Tipo sabonete, shampoo, condicionador e até hidratante. Ou remédios, terapia e pilates. Eu acabava pensando "já gastei nisso, agora já era". Mas se eu preciso (shampoo) ou gosto muito (terapia e pilates) acho que entram como essenciais na sua vida.

Começar um "ban" é entender que tem coisas que você precisa e elas não vão ser iguais das outras pessoas. Se uma moça usa absorventes eles vão ser essenciais e precisam ser comprados todos os meses. Eu uso coletor e não preciso trocar por algum tempo, mas deixei nos essenciais caso dê uma zica e eu precise trocar antes.

Estou me baseando em vários textos e coisas que ouvi e li, mas recomendo o blog da Cait Flanders para leitura. E muitos outros também! Existem alguns passos que ela recomenda e eu resolvi seguir alguns. Eu já tinha feito um desapego gigante, aliás até abri minha lojinha no enjoei. Não fiz uma lista de tudo que eu tinha (eu tenho uma lista de livros não lidos, que me dá um pouco de vergonha para ser sincera).

Então o próximo passo foi fazer as listas de coisas essenciais (que você precisa comprar), coisas não essenciais (coisas que você gosta/quer, mas não necessariamente são essenciais) e compras permitidas.

Essa ultima lista é a que mais me preocupa, pois eu fico com medo de perder o controle, por isso tentei ser o mais especifica possível nela. Não adicionei os livros que já comprei em pré-venda pois o ato de comprar já foi feito, mas não pretendo comprar nada em pré-venda.

Lista dos Essenciais:
- Shampoo/Condicionador/No Poo
- Hidratante corporal
- Protetor Labial
- Hidratante do Rosto
- Protetor Solar
- Coletor Menstrual
- Remédios no geral
- Terapia
- Pilates
- Florais

Lista dos Não Essenciais:
- Livros
- Roupas
- Sapatos
- Maquiagem
- Acessórios
- Revistas
- Coisas de papelaria
- Esmaltes
- Idas ao salão
- Dermocosméticos não prescritos
- Coisas de decoração

Lista de Compras Aprovadas:
- HQ Volume 2 do Sandman
- Os três livros da Elena Ferrante restantes da série napolitana (apenas quando for ler de uma vez)
- Legging de boa qualidade ou uma calça preta justa
- Squeeze de água de boa qualidade
- Caderno de Bullet Journal, caso o meu termine
- Casaco de frio
- Escova da Clinique para repor
- Presente para meu pai (aniversário)
- Presente para meu pai (dia dos pais)
- Presente para meu namorado (dia dos namorados)
- Presente para meu namorado (5 anos de namoro)
- Presente para meu irmão (aniversário)
- Presente para minha mãe (dia das mães)
- Presente Aline

Não coloquei coisas como sair com o namorado e amigos pois já somos bem econômicos (leia-se sem dinheiro). Fora que sinto que esses momentos são tão legais e trazem tantas coisas boas sem ser necessário gastar, que acho que podem passar. Ou também idas ao cinema e tomar café. Enquanto isso não é necessário, um capuccino uma vez por mês enquanto leio um livro me trás tanta felicidade que acho que vale a pena "quebrar".

Das minhas listas de compra aprovada, metade são presentes específicos. Depois tentei ser mais enxuta possível, mesmo achando que ainda é muita coisa. Minha estratégia é só comprar as coisas depois de ter certeza que eu realmente quero/preciso e postergar a compra o máximo possível.

Também pretendo anotar tudo que eu gasto, por menor que seja. Acho que ter esse hábito é um bom diferencial para você realmente ter noção do que você consumiu e quanto você gastou.

Queria também fazer um resumo mês a mês, falando o que eu sinto, se foi fácil, difícil, tenso, o que eu quis comprar, o que eu não quis, etc.

Pretendo fazer o desafio de 01/05/2017 até 01/11/2017. São seis meses aonde eu tentei ver tudo o que eu precisaria comprar e colocar na listinha acima.

Essa é a hora que eu respiro fundo e penso quinze vezes antes de começar (só enquanto eu escrevia o post eu pensei em mudar minhas listas e até a quantidade de tempo necessária). Mas uma hora a gente começa.

Links legais:
- Blog da Cait Flanders: tem um guia muito bacana de como começar.
- Blog Meu Diário Minimalista: ela também tem um "jejum de compras" bem legal!
- Blog Living Slow: fala sobre consumismo e moda sustentável

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