livros

18.2.18

Lidos: Janeiro (2018)

Era para ter postado isso no começo do mês. Mas as vezes a vida acontece e acaba jogando seus planos pro ar. Não tem nada o que fazer além de pegar tudo que foi derrubado e continuar de alguma forma, mesmo que estejamos atrasados.




#1 | Eleanor Oliphant está muito bem | Gail Honeyman | PT
"As pessoas não gostam desses fatos, mas não posso evitá-los. Se alguém pergunta como você está, deve dizer BEM. Não deve dizer que chorou até dormir na noite passada porque não falava com uma pessoa por dois dias consecutivos. BEM é o que você responde."
A Eleanor é uma mulher diferente, mas está completamente bem com isso, muito obrigado. Ela tem um trabalho ok, no qual não tem nenhum amigo e é alvo de piadas maldosas. Ela volta para casa nos fins de semana e enche a cara com vodka até a segunda, onde volta para o trabalho. Fala com sua mãe uma vez por semana. Tem uma planta que consegue manter viva na maior parte do tempo. Mas ela realmente não liga para nenhuma dessas coisas.
Comecei o livro no ano passado e não levei ele junto comigo de férias. Ele foi super rápido de ler: os capítulos são curtos e a escrita é bem gostosinha. O livro é escrito em primeira pessoa, então conseguimos entrar na cabeça da Eleanor, que não é exatamente normal. Ele é um livro super engraçado, até o ponto que pisa nos seus calos. É aquele tipo de humor depreciativo. Uma hora você está rindo, na outra, chorando.
É um livro honesto sobre uma mulher de 29 anos que não entende como a sociedade funciona direito, aprendendo como é fazer depilação com cera e descobrindo maquiagens. Mas é muito triste ao mesmo tempo ver os colegas dela fazendo piadas, ver a solidão, ela se "apaixonando".
Eu estava esperando um livro bem diferente e fiquei muito feliz com o que li.

#2 | Warcross | Marie Lu | EN 
"Death has a terrible habit of cutting straight through every careful line you've drawn between your present and your future."
Warcross é um jogo de realidade aumentada. Desenvolvido por Hideo Tanaka quando ele tinha 13 anos, junto com óculos, as pessoas conseguem entrar em um mundo virtual que muitas vezes interage com o mundo real. Emika Chen é uma órfã que trabalha como caçadora de recompensas, pegando pessoas na vida real que não são tão importantes para que a polícia se preocupe. Depois de descobrir uma falha no jogo e chamar atenção para si mesma, ela é contratada pelo criador do jogo para ser espiã dentro do jogo.
No geral eu gostei bastante do livro. Acho que a Marie Lu é uma ótima escritora porque ela não cria histórias preto no branco. Ninguém é completamente bom ou completamente ruim. As pessoas fazem as coisas porque acreditam que seus motivos estão certos. Achei que foi interessante ler isso num livro YA.
Só que, ainda assim, a autora não consegue fugir de alguns tropes de YA e o final me deixou meio receosa. Enquanto eu adoro ver pistas do que vai acontecer no final, tem sempre um limite para que isso se torne forçado. Odeio ver que tudo esta ligado e alguns dos meus clichês mais odiados estão no livro.



#3 | Saga: Volume 6 | Brian K. Vaughan | EN 
“...anyone who thinks one book has all the answers hasn't read enough books.”
Esse volume não foi o meu preferido.
Não que tenha sido ruim, mas Saga é uma história tão legal e acho que esse volume acabou um pouco quebrado. Alguns personagens, tipo o The Will e todo o núcleo dele estavam um pouco arrastados. Acho que com o final do ultimo volume eu só queria saber da história da Hazel, de rever os pais, da mãe do Marco... Acabou quebrando um pouco o ritmo. E esse foi um dos poucos que terminou sem um suspense muito grande. Só tenho mais um volume para ler (tem outro lançado, mas só pretendo comprar mais para frente). Fico pensando se essa história tem uma maneira certa de acabar ou se o autor vai ficar criando HQ's meio que para sempre.

#4 | Volta ao Mundo em 80 dias | Jules Verne | PT
"Palavra de honra", ruminou Passepartout, um pouco espantado no início, "conheci no Mme. Tussaud bonecos tão cheios de vida como o meu novo patrão!"
Vou ser sincera que não tinha ideia do que esperar ao ler esse livro. Eu não imaginava como ia ser a narrativa, quem iam ser os personagens, enfim, não tinha ideia. Mas a surpresa foi bem legal.
O protagonista, Phileas Fogg, é um senhor inglês muito tradicional. Tem uma maneira correta para cada coisa e a vida é feita de horários. Ele demite seu ajudante atual porque ele levou sua água de barbear numa temperatura de um grau abaixo do que ele gostaria e isso foi inaceitável. Seu novo ajudante, um francês que já viu muito da vida, quer apenas paz e sossego, e seu novo empregado vai trazer exatamente isso.
Até que, no mesmo dia desta contratação, o sr. Fogg vai ao clube e faz uma aposta de que consegue atravessar o mundo em 80 dias. Chega em casa e apressa o novo empregado para saírem na mesma noite já que a fortuna dele está em jogo. Eles passam por vários lugares, da França ao Egito, Índia e Japão.
E o livro inclui relatos e detalhes bem interessantes sobre esses lugares. A vontade que dá é de colocar tudo dentro de uma mala e viajar.
Fora que achei esse livro muito engraçado. O escritor tem uma maneira de colocar as coisas, como a situação acima, onde o empregado buscando sossego é levado as pressas para uma viagem voltando ao mundo, que é de um humor meio peculiar, mas eu adorei. O livro todo vai nessa onda de humor e eu achei que a leitura foi muito legal e bem diferente do que eu esperava. Da metade para o final eu não conseguia largar, querendo saber se o protagonista conseguiria chegar a tempo e a cada contratempo que aparecia eu sofria.
Interessada em ler outros livros do autor. Aliás descobri que ele tem uma "série" de Viagens Extraordinárias, que inclui outros livros como Viagem ao Centro da Terra, 20 mil léguas submarinas.



#5 | Card Captor Sakura Vol.1 | CLAMP | PT
Sempre quis ler Sakura - um dos meus desenhos (porque quando eu era criança falávamos desenhos e não animes) preferidos. Aliás, uma vez resolvi que eu queria ter o cabelo da Sakura. O resultado foi no mínimo, desastroso (agradeço que não existiam smartphones e câmeras digitais naquela época).
O primeiro volume sempre estava num preço absurdo, por estar esgotado em todos os lugares. Por alguma mágica, relançaram, mas apenas os 12 volumes juntos.
O primeiro volume é bem básico mesmo, as primeiras histórias, a introdução de alguns personagens (incluindo Yukito, meu amor de infância), algumas cartas Clown. Para ser sincera eu mal me lembro como a história termina, mas quero ler tudo o quanto antes.

#6 | Harry Potter and The Chamber of SecretsJ. K. Rowling | EN
It is our choices, Harry, that show what we truly are, far more than our abilities.
Não tem muito o que dizer de Harry Potter né? Sempre que a vida fica dificil eu tiro meus livros da estante. Sempre me lembro de uma época melhor da minha vida quando leio os livros. Aliás quero rever o filme também. Esse é meu volume menos-preferido dos sete. Mas também foi onde comecei minha teoria que se a Hermione fosse a escolhida ela resolveria tudo em 4 livros.



#7 | Retorno a Brideshead | Evelyn Waugh | PT
"Quando as pessoas odeiam com toda essa energia, é algo nelas mesmas que elas odeiam."
Eu assinei a TAG - um clube do livro mensal, por assim dizer, depois da indicação da Chimamanda. Era para ter cancelado no mês seguinte, mas acabei esquecendo e chegou o mais ou menos - Três Marias - da Raquel de Queiroz. Depois o de Dezembro era um dos favoritos do Gabriel Garcia Marques e acabei não cancelando, mas não consegui ler ainda. Queria muito ter a experiencia completa, de poder comentar sobre o livro com outras pessoas no mês certo e decidi que leria o de Janeiro assim que chegasse.
Primeiro: a edição é linda. Eu adoro julgar livros pela capa, mas não tem um pedaço do livro que não chame a atenção. O único ponto fraco é a tradução, que me parece meio antiga, como se tivesse sido feita nos anos 50-60, cheias de expressões que não se usa mais. E a quantidade de notas de rodapé. Acabou me distraindo um pouco. Mas fora isso, adorei o livro.
A história segue Charles Ryder, um soldado do exército na segunda guerra mundial. Um dia, quando seu pelotão está mudando de lugar, ele chega a um lugar que já foi muito importante para ele: a mansão Brideshaw. A partir dai ele relembra seus anos de juventude e tudo que se passou naquele lugar.
Achei que foi um livro incrível. Não vai ser um livro para todos, mas para mim, as descrições e a escrita do autor foram fantásticas. Faziam sentir como se estivesse no ambiente. E a história é lenta, mas me parece que está mais "por trás" do que nas páginas.. Como por exemplo o (suposto?) relacionamento entre Charles e Sebastian. Só depois de ler um comentário perguntando se eles eram gays, eu comecei a reparar em algumas coisas (como por exemplo Charles estar presente enquanto Sebastian toma banho ou os dois tomando sol pelados juntos. Ok, fui meio tapada?). De qualquer maneira, nada é explicito.
O Sebastian foi um dos meus personagens preferidos. A decadência dele é sutil e acaba desencadeando diversos eventos que também vão destruindo sua família. O Charles é apaixonado por eles: pelo estilo de vida, pelo dinheiro, pelo lugar.


Lidos: Janeiro (2018)

18.2.18

7.1.18

Lidos: Novembro (2017)

Esse é o mês onde bati minha meta de livros para ler esse ano. Estou repensando toda a minha relação com os livros e metas (a Ariel Bisset colocou um vídeo muito legal sobre como a leitura se tornou uma competição).




#68 | Tartarugas até lá embaixo | John Green | PT
   Quando vi que o John Green ia lançar um livro depois de muito tempo, não fiquei muito animada. Sempre que limpo minha estante penso em me livrar dos livros (todos) que tenho dele, simplesmente porque não sei se vou relê-los um dia. Ainda assim, não fui capaz de me livrar de nenhum até agora, mas não ia comprar o novo. Porém depois de todas as pessoas que eu sigo em todas as redes sociais falarem que esse é um livro completamente diferente, eu acabei cedendo. E não me arrependi.
   Tartarugas até lá embaixo conta a história da Aza Holmes. Ela e sua melhor amiga Daisy descobrem que há um milionário fugitivo e que coincidentemente, Aza foi amiga de um dos filhos dele quando mais nova. As duas então começam a procurar pistas para poder pegar o dinheiro da recompensa.
   Essa é a premissa do livro, porém o mais interessante de tudo é a própria Aza, que sofre de TOC e ansiedade, tem diversas crises e está sempre numa espiral de pensamentos.
   Acho que sempre dá para perceber quando um livro é escrito por alguém que já vivenciou aquilo que está escrevendo e este é um dos casos. O autor já falou sobre o transtorno obsessivo compulsivo e como ele afeta sua vida e essa vivência transparece no livro. Para mim, que também vivo com ansiedade, é tudo muito palpável. Consegui me relacionar muito com a Aza, com as espirais infinitas de pensamentos, com a falta de conexão com o mundo real, com o sentimento de não estar no controle da sua própria vida.
   E mesmo que seja cercado de repteis estranhos, adolescentes presunçosos, bilionários excêntricos, esse livro é, acima de tudo, real. De como viver com uma doença mental é exaustivo, de que um amor não vai curá-la, de que nem sempre é possível estar lá para as pessoas que te amam e que de vez em quando, você e sua doença acabam sendo um fardo para elas. De que a terapia não é fácil e se conectar com seu terapeuta é mais difícil ainda, que remédios não são sempre uma solução e, mais importante, é possível viver com essas doenças.
   Foi um livro bem "agridoce" (não gosto muito dessa palavra para descrever, mas enfim). Ele não termina com tudo lindo, doenças curadas, amores novos e sorrisos. É um final bem real e finais reais raramente terminam com tudo bem.

#69 | Sandman - Volume 1Neil Gaiman | PT
   Finalmente. Estou tentando completar minha coleção de Sandman já faz uns anos, mas estavam esgotadas em todos os lugares. Acabei comprando o volume 4 porque era o único que tinha na intenção de ir comprando aos poucos os outros. No ano passado, durante a bienal, relançaram o primeiro volume e eu acabei achando o terceiro no estande da Panini com super desconto. Só ficou faltando o segundo, que só foi lançado agora no final desse ano. Terminada a minha saga, resolvi ler Sandman. Acho que é o melhor trabalho do Gaiman até agora.
   A história acompanha o Sandman, o senhor dos sonhos, que é capturado no lugar de sua irmã, Morte e fica preso por muitos e muitos anos. Enquanto isso, o mundo acaba desandando um pouco e as armas de Morpheus (outro nome dele) são roubadas e espalhadas por ai. Depois que ele consegue se soltar, ele precisa se vingar e recuperar suas coisas.
   Achei que a história ia ser grande parte sobre essa jornada em busca das armas dele, mas ela se resolve bem rápido até. Depois achei que as coisas seriam meio episódicas, mas pelo que consegui entender, temos um arco bem maior de história para ser contada.
   Não sei nem o que falar: é uma história fantástica! Recomendo que comprem todas as edições, aproveitar que ainda estão em estoque por ai.



#70 | História do Novo SobrenomeElena Ferrante | PT
   Li o primeiro livro da série Napolitana em janeiro. Fiquei esperando o último livro ser lançado aqui para poder ler tudo de uma vez e comprei em uma promoção da amazon. Só que não peguei imediatamente para ler. Por algum motivo, eu não queria ler naquele momento. Mas acabei pegando para ler em outubro e a leitura se arrastou para novembro. Isso não significa que foi ruim.
   A história começa logo após os eventos finais do primeiro livro. Desta vez seguimos Lenu e Lila em suas novas condições - Lenu continuando seus estudos, uma das únicas do bairro e Lila como uma mulher casada. E seguimos as duas até mais ou menos o começo da vida adulta.
   Quando eu disse que a leitura se arrastou, não é porque foi ruim ou penosa. Apenas porque esse livro é muito pessoal. Quase sempre eu uso a leitura como um hobby, um escapismo ou uma maneira de aprender coisas novas. Mas aqui quase não havia coisas novas a se aprender. Não era exatamente um hobby e eu não conseguia escapar porque o livro me trouxe para perto demais da minha realidade.
   A maneira com que me identifico com Lenu, a narradora da história, é surreal. Acho que talvez por isto que estes livros são tão aclamados por mulheres ao redor do globo: eles mostram a verdade. A verdade sobre relacionamentos entre mulheres, não o pregado pelo feminismo moderno, mas o antigo - aquela relação que navega entre a amizade e o companheirismo até a inveja e o ódio, como um barco bêbado no mar. A verdade sobre casamentos e a cultura machista que ainda está na sociedade e como ela afeta as mulheres, não só as que são vítimas diretas, mas as que propagam pensamentos machistas apenas porque é tudo o que elas já tiveram acesso. Sobre os sacrifícios que precisamos fazer as vezes apenas por sermos mulheres. A verdade sobre aquele lado feio que todos nós temos, mas guardamos a sete chaves dentro de nossas cabeças e quase nunca permitimos que as outras pessoas vejam.
   É muito fácil dizer coisas como "Lenu é invejosa" ou "Lila é egoísta". Temos duas mulheres que fazem o que foram ensinadas a vida toda. Elas competem e se amam e se odeiam. Elas rompem amizades e reatam, elas amam homens e os deixam com a mesma rapidez. Aqui aquele lado feio é escancarado por uma narradora sem escrúpulos ou medo de parecer uma mulher "ruim". Estamos acostumadas a mulheres perfeitas ou com defeitos que beiram ao ridículo: perfeccionistas, um pouco depressivas, gostam de cafajestes. Aqui temos um ser humano completo, com pontos bons e ruins. E isso é lindo de se ver.
   Porém, ler os pensamentos de Lenu nas páginas era quase como um soco no estômago. Porque além das descrições dos sentimentos, eu também conseguia senti-los. Não só porque fui transportada para dentro do livro, mas porque o livro estava quase se mesclando à minha vida e ao meu passado. Não se sentir a melhor - a mais bonita, a mais inteligente, a mais legal, aceitar qualquer tipo de amor apenas porque acha que não merece nada a mais, ver pessoas que você ama preferirem outra pessoa e ver essa pessoa, que antes não se interessava por esta mesma pessoa, se apaixonar perdidamente por ela.
   É tudo tão pessoal que foi difícil passar por essa leitura sem relembrar a vida e sem refletir sobre ela. Ainda assim, ela me trouxe um questionamento. Algumas vezes, durante a leitura, eu pensava "Mas Lenu, porque faz isso? Você não consegue ver?". E depois pensei, "será que eu conseguiria ver?". Talvez todos sejamos cegos na nossa própria história e só conseguimos ver as coisas claramente depois que elas passam. Mas é um lembrete para sempre manter os olhos abertos.
   Enquanto eu quero muito ler o resto da série, não sei se é algo que eu consigo fazer agora.



#71 | The Sun and Her FlowersRupi Kaur | EN
   Li o outro livro da Rupi Kaur no começo deste ano e gostei bastante. Foi uma alegria grande poder falar que eu estava lendo e entendendo poesia. E esse livro lançou e claro que fui ler também.
   Aqui a "estética" dos poemas segue a mesma linha - frases simples e bonitas, sem muita métrica e outras coisas que aprendemos na aula de português quando somos mais novos.
   Tem gente que chama esse estilo de novo, algo como a poesia da nossa geração, enquanto outros chamam de frases mal pontuadas. Cada um atira a pedra onde quiser. Pessoalmente eu gosto muito.
   Enquanto o outro livro falava mais sobre amor e relacionamentos, este também dá uma grande abertura para o amor, mas para relacionamentos mais gerais - amizade e família também estão incluídos, inclusive focando bastante na história da mãe da Rupi, que é imigrante. Aliás toda essa questão de imigrantes e refugiados é abordada.

#72 | As Três MariasRaquel de Queiroz | PT
   Esse foi meu segundo livro da TAG, mas o primeiro que eu li. Por coincidência, terminei no dia do aniversário da autora e no mesmo dia que Mario escreveu sobre o livro em 19...
   O livro acompanha Guta, a Maria Augusta, uma menina que entra em uma escola de freiras após a morte da mãe. Lá ela encontra duas meninas que se tornarão suas amigas: Maria da Graça e Maria Jesus.
   A verdade é que eu não sei bem se gostei do livro. Achei bem triste tudo sobre a Guta, mas também não me senti triste por ela. Eu não consegui me conectar muito bem, parte pelas personagens distantes e parte pela escrita.

#73 | O Milagre da ManhãHal Elrod | PT
   Vi sobre esse livro no canal da Fran e resolvi ler por completo, fazia tempo que não lia uma não-ficção.
   O autor fala sobre como começou uma rotina, que é utilizada por várias celebridades e pessoas ricas e prósperas, e como essa rotina melhorou a vida dele e o fez dar a volta por cima.
   Estou tentando ler mais livros de "auto aperfeiçoamento" (ou auto ajuda) sem revirar os olhos ou sentir vergonha. Não sei de onde veio esse pré-conceito que a maioria dos leitores "de verdade" tem com auto ajuda e por acaso eu absorvi. Acho que qualquer leitura é válida e estou sempre tentando tirar algo de tudo que eu leio, desde um livro de filosofia até artigo no buzzfeed sobre as kardashians.
   E nesse achei bem interessante. Ele diz que, todas as manhãs, você deveria: fazer exercícios físicos, ler, escrever (em um diário), fazer visualizações sobre sua vida, fazer afirmações positivas e meditar (ou uma atividade silenciosa como oração).
   Implementei isso em alguns dias e fiquei muito surpresa com o resultado. Produzi bem mais que o normal e quando estou indo para o trabalho me sinto bem mais acordada que antes.
   Ainda estou tentando driblar o sono de manhã, mas pretendo fazer isso todos os dias.

E é isso ai. Estou pensando numa maneira diferente de fazer isso no ano que vem e estou me empolgando

Lidos: Novembro (2017)

7.1.18

12.11.17

Lido: Outubro (2017)


Adoro fazer coisas temáticas, mesmo que sozinha. Em março resolvi ler só mulheres e agora em outubro resolvi ler livros de terror, crimes e "assustadores". Li quatro livros (tinha me proposto a ler também Frankenstein e Misery, que estão parados aqui, mas não terminei) com essa proposta e um quinto porque quem escreveu foi a Maggie Stiefvater. Li também o maior livro que eu já li na vida.



#63 | The Language of Thorns | Leigh Bardugo | EN
“This goes to show you that sometimes the unseen is not to be feared and that those meant to love us most are not always ones who do.”
   Comecei esse mês por esse livro que é uma coleção de contos-fábulas da Leigh Bardugo, mais precisamente do universo Grisha, que os livros dela se passam. Não é necessário ler nenhum outro livro dela para entender esse.
   São seis histórias, todas com um toque de conto de fadas sombrio. Elas são de diferentes partes do mundo e tem haver com aquela região (então uma região marítima tem lendas sobre seres marítimos). E as ilustrações. Elas vão preenchendo a página conforma a história avança e são tão lindas e cheias de detalhes que dá vontade de colocar na parede.
   Sobre as histórias: elas tem um quê de conto de fadas e até dá para traçar um viés com nossos contos de fadas. A Bela e a Fera, João e Maria, A Pequena Sereia (só consigo pensar em ah que pena seria) são alguns que dá pra lembrar. Só que tudo isso com um toque meio macabro e lições completamente diferentes das originais. Adorei.
   A escrita da autora continua melhorando a cada livro que ela lança. Estou ansiosa para os próximos lançamentos dela.

#64 | Assassinato no Expresso do Oriente | Agatha Christie | PT
"O impossível não pode ter acontecido, então o impossível deve ser possível apesar de todas as aparências. "
   Esse era o último livro que eu tinha da Agatha Christie para ler na minha estante e com certeza foi o melhor que eu li. Acho que esse e o "E Não Sobrou Nenhum" são os dois melhores livros dela que eu li, seguidos de longe pelos outros. A mulher realmente merecia os títulos de rainha do crime. Vou pesquisar outros livros dela para ler.
   Aqui temos outra aventura de Hercule Poirot, dessa vez um caso não solicitado. Enquanto ele faz uma viajem no famoso Expresso do Oriente a caminho da Europa, um assassinato é cometido enquanto o trem está parado por conta da neve, e ele acaba tendo que dar um jeito de solucionar o caso antes de chegarem na fronteira.
   O número de personagens desse livro foi grande, mas por sorte tem um mapinha com lugares do trem, nome de personagens e ocupações, então era só dar uma olhadinha quando eu me perdia.
   Eu adoro ler sobre romances policiais porque eu nunca acerto quem é o assassino. Eu sempre mudo de ideia a cada pista nova e dessa vez não foi diferente. Mas foi. Só quem ler o livro vai entender mais ou menos. Se você quiser ler um livro da Agatha Christie, recomendo esse com certeza. Vi que vai ser lançado um filme, mas pelo trailer parece bem diferente do livro. E tem o Johnny Depp (ugh). Ou seja, acho que não vou ver.

#65 | A Classic Crime CollectionEdgar Allan Poe | EN
   Depois li uma coletânia de contos e poemas do Poe. Para ser sincera, não foi tão bom quanto eu esperava. Acho que entender poemas em inglês, ainda mais com uma linguagem mais antiga, foi bem difícil e ainda não foi pra mim.
   Já alguns contos foram meio "ok"? Já tinha lido outros contos do Poe de uma edição antiga da minha mãe, mas não me lembrava o quão creepy o autor consegue ser. Não acho nem assustador, é uma coisa que você olha e pensa "esse cara com certeza tem alguns probleminhas na cabeça". Está muito mais para macabro do que para medonho.
   Queria a edição da darkside para comparações (claro haha). #mepatrocina




#66 | IT - A Coisa | Stephen King | PT
- Você sempre fala com bueiros, moço? - perguntou o garoto.
- Só em Derry - disse Bill.
   Tinha esse livro aqui desde o ano passado. Passando pela livraria do shopping um dia, vi que esse livro estava em promoção e acabei comprando. Cheguei em casa super animada para ler e li o prólogo, onde o pequeno Georgie tem seu encontro fatal com A Coisa dentro do bueiro. Calmamente coloquei o livro de volta na estante e só voltei a tirá-lo para eventuais limpezas. Mas esse ano, depois de ver o filme, decidi tentar ler o livro. É claro que uma das coisas que me impediam de ler era o tema: sou muito medrosa e fico remoendo aquilo por dias sem conseguir levantar de madrugada para ir no banheiro. E o outro fator, é claro, foi o tamanho. MIL E CEM páginas. E eu achando que Anna Karenina tinha sido longo. Só que ao contrario de Anna Karenina, essas mil e cem páginas não são tão pesadas.
   Talvez todos saibam a sinopse, mas lá vai: Na cidade de Derry coisas muito bizarras acontecem. Muitas crianças somem e tem mortes terríveis, entre eles, o irmãozinho de Bill Gago, Georgie. Ele e seus amigos são constantemente visitados por uma Coisa, algo que assume a forma do medo das crianças e as mata. Vinte e sete anos depois o ciclo de matanças começa novamente. Bill e o resto da clube dos otários precisa voltar a Derry e cumprir o pacto que fez de impedir a Coisa.
   O livro vai alternando entre a versão adulta e a infantil de nossos protagonistas, entre a primeira vez que encontram A Coisa e quase trinta anos depois, quando precisam enfrentá-la novamente.
   Acho que por ter visto o filme, que é só a parte da infância, achei fácil de identificar os personagens. Aliás, a primeira parte começa na vida adulta, e foi interessante ver como aquelas crianças do filme e suas vivencias tinham se transformado em pessoas crescidas.
   O livro não foi tão assustador quanto eu esperava. Ou melhor, a Coisa nem é a parte mais assustadora desse livro e sim toda a situação daquela cidadezinha e dos personagens. Homofobia, racismo, preconceitos, bullying (do tipo pesadíssimo).. Enfim, são coisas que te pegam de surpresa e assustam mais do que um monstro (quando você é adulto).
   A história toda é muito legal, você se sente parte do grupo e sente medo por eles e quer descobrir as coisas junto com eles. A escrita do Stephen King é muito boa. Muito mesmo. Ele tem um talento para escrever diálogos que é inacreditável. Ele realmente é um ótimo escritor e as mais de mil páginas não são difíceis de ler.
   Porém achei que a resolução ficou meio bosta. O "Sobre a escrita", o Stephen King diz que não planeja os livros, que apenas senta e escreve e não gosta da ideia de planejar o que vai acontecer numa história. Sinceramente? Acho besteira, principalmente porque acontecem essas coisas onde o final fica meio sem pé nem cabeça. E falando no final desse livro, tem uma cena MUITO tensa mesmo, não de medo, mas de nojo. Não sei como um editor leu esse livro até o final e pensou "nossa, essa cena foi totalmente necessária e nem um pouco inapropriada, acho que deu a medida certa nesse livro". Se você já leu você sabe qual que é (e se não leu e quer saber, é só procurar por "that it book scene" que você fica sabendo).  Talvez se o King sentasse e planejasse bem o final e a resolução não ia ser tão ruim o final, o que é bem triste porque a qualidade da escrita e da história é muito boa.

#67 | All The Crooked SaintsMaggie Stiefvater | EN
“I was looking for a miracle, but I got a story instead, and sometimes those are the same thing.”
   Desde que a Maggie - muito intimas - disse que iria lançar esse livro, fiquei me coçando para comprar. The Raven Cycle é uma das minhas séries preferidas de todos os tempos e a escrita da autora é uma delicia.
   O livro conta a história do povoado de Bicho Raro - o lar da família Soria. Os Sorias são uma familia um pouco diferente: fugidos do México, eles encontraram Bicho Raro e realizam milagres nos peregrinos que os buscam. Um dos membros da família, o Santo, recebe estas pessoas que desejam de livrar de sua escuridão e então realiza o milagre. Porém o milagre, na verdade, são dois. O primeiro milagre, feito pelo Santo, realiza mudanças físicas na pessoa e na maioria das vezes não é o que se espera. Então a pessoa precisa entender aquilo e seguir em frente, realizando seu próprio milagre.
   Esse primeiro milagre tem haver com os medos e com a "escuridão" desta pessoa. E eles vão desde coisas "óbvias", como o padre atraído por meninas novas que fica com a cabeça de lobo, ou o locutor de rádio que odeia sua fama e tem medo de ser visto comendo, ficar com seis metros de altura, até outros mais misteriosos, como a menina que tem borboletas no vestido que não conseguem voar porque estão muito molhadas da chuva que caí constantemente sobre a mesma menina.
   Seja como for, muitos desses peregrinos passam anos ali, sem conseguir realizar o segundo milagre. Os Soria, perseguidos por uma maldição que diz que se ajudarem os peregrinos, direta ou indiretamente, terão suas próprias "escuridões" mostradas para eles, os ignoram e continuam suas vidas complicadas.
   Eu adorei os personagens. Os três primos "principais": Joaquin "Diablo Diablo", Beatriz "a menina sem coração" e Daniel, o Santo atual, são muito legais, mas apenas os dois últimos são mais explorados. Temos também Pete, talvez a única pessoa que vai até Bicho Raro sem procurar um milagre.
   Esse livro estava causando um pequeno alvoroço antes mesmo de ser lançado. Estou começando a pegar um ranço o Goodreads e do Tumblr, porque quase sempre as pessoas fazem muito alvoroço sem nem saber direito sobre o que. A polemica em questão é a talvez "apropriação cultural" que a autora teria feito da história de mexicanos por não ser mexicana.
   Creio que não foi uma apropriação cultural, mesmo sendo latina, mas eu entendo porque algumas pessoas ficariam chateadas. Acho que no geral, essa decisão de escrever uma história sobre latinos, apenas deixou a história meio rasa. Há coisas sobre culturas que não dá para ser entendida depois de ler alguns livros. É preciso vivenciar as coisas para talvez entender. E, durante a leitura, eu não senti esse entendimento, essa profundidade.
   A autora poderia ter contado a história com uma família de outra cultura e acho que seria mais significativo - afinal toda cultura tem suas versões de milagres e santos. E no final, a conclusão da história ficou meio apressada.
   Me senti meio frustrada porque estava com expectativas altíssimas para este livro. A história segue um rumo legal, mas não foi nada que eu achasse espetacular.


Lido: Outubro (2017)

12.11.17

15.10.17

Lidos: Setembro (2017)

Uma pequena história: eu comecei a ler o segundo livro dessa lista (O Rei do Inverno) lá em Julho. Li quase até a metade, mas percebi que não conhecia quase nada da lenda de Arthur. Conhecia o filme da Disney (mais ou menos) e alguns personagens. Mas me senti meio perdida. Então achei o livro O Rei Arthur na estante e comecei a ler, pra que eu tivesse uma base melhor para os personagens. Fim da história.
E esse mês eu parei de dar estrelinhas para os livros. Parte porque sempre foi uma coisa meio aleatória, apesar de eu tentar manter uma ordem. Acho que não dá pra colocar os sentimentos entre 0-5. Por isso faço esses textões.



#56 | O Rei Arthur | Howard Pyle | PT
Assim Griflet foi sagrado cavaleiro e, montado em seu corcel, partiu direto para sua aventura, muito alegre e cantando puro deleite. E foi naquele instante que Sir Myles morreu de seus ferimentos, pois muitas vezes a morte e o sofrimento vêm a alguns ao mesmo tempo que outros riem e cantam de pura esperança e alegria, como se coisas tão dolorosas como a tristeza e a morte jamais pudessem existir no mundo em que vivem.
   O Rei Arthur é provavelmente o rei mais famoso da história, mesmo que ele seja apenas fictício. Quer dizer, algumas pessoas ainda falam que ele pode ser uma pessoa que existiu de verdade (cai numa espiral de pesquisas no google sobre isso). O fato é que, se existiu, provavelmente não foi muito parecido com as lendas, isso inclui este livro, que é dividido em duas partes: a primeira conta sobre Arthur, como ele nasceu, como se descobriu rei, como encontrou Excalibur (que, pasmem, não é a espada tirada da pedra), como encontrou sua esposa. A segunda parte fala sobre três de seus homens "notáveis": Merlin, Sir Pellias e Sir Gawaine.
   Acho que esse é um ótimo livro para quem, como eu, não conhece nada da lenda de Arthur. Ele é contado em episódios sobre determinados eventos (como Arthur virou rei, como ele consegui Excalibur, etc) e por isso não tem um grande arco narrativo: você não fica esperando para ver o que acontece, você já sabe o que vai acontecer já que o resumo do capitulo fala o final.
   Os capitulos sobre os cavaleiros foram os mais chatos, talvez porque eu não conhecia e nunca tinha ouvido falar dessas pessoas, tirando Merlin. Aliás, o capitulo dele talvez seja o mais legal do livro, apesar de ter seus problemas. Por exemplo: ele é "seduzido" por uma moça de quinze anos, sendo que ele é um mago velho. Além disso ser creepy as fuck, temos outro problema: a maneira como as mulheres são mostradas. É claro que, se tratando de uma obra datada, não dá para cobrar representatividade e girl power. Mas percebi que mesmo os vilões homens são horados, cavaleiros e mesmo sendo maus, tem suas virtudes. Já as mulheres, tanto Morgana quanto Vivien, são mostradas como traiçoeiras, sem honra e vingativas. Acabou cansando um pouco.
   Fora que histórias em formato de lenda não são minhas preferidas. Acho que acaba ficando quase sempre com aquele ar de conto de fadas onde tudo é bonito e ninguém morre.

#57 | O Rei do Inverno | Bernard Cornwell | PT
Mas o destino, como Merlin sempre nos ensinava, é inexorável. A vida é uma brincadeira dos Deuses, costumava dizer Merlin, e não existe justiça. Você precisa aprender a rir, disse-me ele uma vez, ou então vai simplesmente chorar até morrer.
   Acho que ter lido o outro livro foi uma ótima decisão, só para ter certeza do quão incrível esse livro foi. O rei da ficção histórica (ou é o que a internet me diz), Bernard Cornwell, pega a lenda de Arthur e a conta de maneira realista, quase te fazendo ter certeza que tudo aquilo realmente ocorreu.
   Nesse livro, a magia não passa de uma superstição na cabeça das pessoas. Aliás, o livro também não se passa na época de cavalaria, mas numa época mais antiga, quase feudal. A Britânia está sendo invadida pelos saxões e os próprios reinos brigam entre si, o que de fato aconteceu. E no meio disso tudo, nasce o neto e herdeiro de Uther, o grande rei: Mordred, um bebê deficiente. Então o rei pede a alguns cavaleiros honrados, incluindo seu filho bastardo, Arthur, para fazer um juramento de proteger o pequeno até que ele possa reinar.
   As diferenças entre os contos das lendas e esse livro são gritantes. Aqui ninguém é bom ou mal. Estão todos tentando sobreviver, cometendo erros e lutando. O nível de violência no livro acaba sendo bem grande, mas não senti que nada foi gratuito. Tem menções e consequências de estupro sempre, e eu achei bem pesado.
  A história aqui é narrada pelo Derfel, um saxão que foi capturado quando criança e desde então foi criado por Merlin. Junto dele e Merlin estão Nimue (que no outro livro é chamada de Viviane) e Morgana. Enquanto a primeira é amante e aprendiz de Merlin, Morgana é uma feiticeira tão poderosa quanto Merlin (novamente lembrando que tudo o que acontece de magia é superstição dos personagens, um conjunto de rituais e encantamentos não reais). Só que Derfel está escrevendo sua história junto a Arthur depois de muito tempo, quando já tem uma idade avançada e virou cristão. Me lembrou um pouco de "O Nome do Vento" do Patrick Rothfuss, porque dá pequenos detalhes de coisas que acontecerão no futuro e te deixam com mais vontade de ler.
   E os personagens não podiam ser mais diferentes do que das lendas. Merlin aqui tem um objetivo fixo de achar os tesouros e por mais que goste muito de Arthur, não deixa que nada atrapalhe o seu objetivo e ele acaba sendo maldoso em muitas partes. Morgana tem um papel de menos destaque, mas não é traiçoeira e sim muito leal ao rei Uther (seu pai) e seu irmão. Nimue e Derfel foram os meus preferidos. Os dois tem muitos defeitos e os dois sofrem muito. E Arthur. Arthur é um dos personagens mais legais desse livro. Ele tenta ser honrado, bravo e destemido, mas nem sempre é possível. Muitas vezes ele comete erros e se culpa, sendo a culpa dele ou não. E mesmo sendo um personagem querido e respeitado, muitas vezes as pessoas do livro não confiam tanto assim nele e não estão dispostas a segui-lo de qualquer maneira.
   Em linhas gerais: leiam esse livro. Já vou pegar o segundo livro da série assim que possível para ler.

#58 | O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação | Haruki Murakami | PT
De julho do segundo ano da faculdade até janeiro do ano seguinte, Tsukuru Tazaki viveu pensando praticamente só em morrer.
   É um pouco difícil falar sobre esse livro. A história de Tsukuru é bem simples: no ensino médio, ele possuía um grupo de amigos inseparáveis. Todos eles possuíam alguma referencia a cor no nome (Azul, Vermelho, Preta e Branca), menos Tsukuru, o incolor. Ainda assim, eram todos muito amigos, até que um dia no seu segundo ano da faculdade, quando volta para sua cidade natal e liga para um dos amigos e é informado que eles não podem mais ser amigos. Ao questionar porquê só recebe a resposta: "Você sabe porque". E então anos de amizade acabam sem a menor explicação.
   A narrativa se passa anos depois, quando uma namorada de Tsukuru diz a ele que deve buscar respostas, porquê esse fato deixou uma cicatriz muito grande nele.
   Algumas coisas que eu gosto nesse livro: o tema de solidão e abandono, a falta de auto estima e o que isso pode causar numa pessoa e nas relações dela, mesmo depois de mais velho. Achei que a descrição de solidão vivida por Tsukuru é real e palpável. Você se sente como ele, abandonado e sem saber bem porque. Como uma pessoa que não tem muitos amigos, eu me relacionei muito.
   Algumas coisas que eu não gosto: um das explicações mais importantes do livro me deixou bem chateada. Muito mesmo. Não tem como explicar muito sem dar spoilers, então: o grupo de rompeu porquê uma das meninas do grupo, Branca, diz que Tsukuru a estuprou. Ela de fato foi estuprada, mas não por Tsukuru, mas em nenhum ponto alguém tentou buscar quem a estuprou de verdade ou porquê. Mais tarde, ela é assassinada e ninguém pensa em buscar a pessoa que potencialmente a estuprou muitos anos atrás. Ela fez essa acusação porquê tinha problemas mentais. Enfim, só a explicação de falsa acusação de estupro já me deixa chatinadíssima, porque isso acontece com muita frequência na ficção e não tanto na vida real. O pior para mim foi que todos os amigos "sabiam" que não tinha sido Tsukuru o estuprador, porquê ele "não faria nada assim". Ugh. Fim do spoiler.
   Outra coisa que não gostei nem um pouco: a descrição do Murakami das mulheres. Não sei se isso é algo cultural e para os japoneses isso é normal (não li o suficiente de literatura japonesa para saber), mas foi bem estranho estar no meio de uma conversa interessante, com um tema denso e de repente o personagem estar pensando nos seios da mulher com quem ele conversa, descrevendo o quão cheio de vida eles parecem. E não é nem tão sexualizado, é apenas comentando a maneira como os seios dela se parecem. Aliás todas as descrições sexuais são meio estranhas para mim.
  Enfim, foi um livro interessante porquê acho que o Murakami consegue escrever bem e te transportar para um estado não muito feliz, mas real. Só que os problemas, para mim, foram bem grandes, principalmente porque não faz muito sentido.


#59 | The Female of The SpeciesMindy McGinnis | EN
“You see it in all animals - the female of the species is more deadly than the male.'
'Except humans.”
   Li "Uma Loucura Discreta" dessa autora e gostei muito. Então quando esse livro foi lançado ano passado eu comprei de uma vez, mas ao descobrir melhor sobre o que o livro falava (sim, comprei livro sem saber bem do que era), acabei deixando a leitura pra mais tarde.
   A história segue três personagens: Alex, uma menina quieta, cuja irmã foi estuprada e assassinada brutalmente há alguns anos e seu assassino ficou solto. Então ela fazer justiça com as próprias mãos. Também seguimos outros dois personagens: Peekay, a filha do pastor, que se aproxima de Alex ao realizarem um trabalho voluntário juntas e Jack, o garoto estrela da escola.
   Vamos lá: é uma história brutal. Dá pra ver nos capítulos da Alex o quanto o que aconteceu com sua irmã a afetou e não de uma maneira "esperada". Ela se torna quase uma sociopata - sendo que essa nem é a palavra certa, porquê ela se importa com as pessoas e não sente apatia - e tem episódios onde surta com violência, mas sempre voltada a homens estupradores. É uma história necessária, mas nem por isso deixa de ser menos incomoda. Logo nas 60 primeiras páginas temos vários dados jogados na nossa cara - uma entre cinco meninas seria estuprada, o que logo vira piada quando "preferem" que seja a bonitona. E que algum daqueles meninos que riam da piada seria um dos estupradores. São coisas que a gente evita falar para jovens, mas são a verdade. Essas piadas e esse ciclo se repetem.
   Uma coisa bem legal é a maneira como o livro mostra os jovens - parecem bem reais e não os estereótipos que quase sempre aparecem por ai. O cara que ama uma menina mas quer muito ficar com a outra. A moça recatada que não é tão santa assim. Outra coisa bem legal é como ele dá um tapão nos nossos próprios preconceitos contra mulheres. Odeio aquela vaca porquê ela roubou meu namorado. Mas seu namorado não teve culpa alguma? Ela é muito vadia. Porquê gosta de fazer sexo. Ou como alguns comportamentos são aceitos porque são homens fazendo. Sendo que essas coisas não são cobradas ou ditas para eles:
“But boys will be boys, our favorite phrase that excuses so many things, while the only thing we have for the opposite gender is women, said with disdain and punctuated with an eye roll.”
   Esse livro me faz pensar naquilo que pra mim é muito difícil: mesmo uma pessoa fazendo uma coisa ruim, ela pode ser uma coisa boa? Por exemplo em Dexter: ele é um assassino, mas ele mata apenas pessoas que "merecem", como outros assassinos, ladrões, estupradores. Enfim. E aqui é meio similar. A Alex mata um cara que fez coisas horríveis, mas isso a torna menos mal? A resposta moralmente correta seria sim. Mas vivendo na sociedade em que vivemos, onde mulheres são estupradas e crianças são molestadas e seus agressores saem livres, quem nunca pensou na possibilidade de dar um jeito na situação por si mesma? É horrível, mas é a verdade (pelo menos para mim).
   Fiquei muito confusa depois de ler esse livro. Não sei bem o que falar.



#60 | Anna Karenina | Liev Tolstoi | EN
All happy families are alike; each unhappy family is unhappy in its own way.
   Levei um tempo também para ler esse livro pois mais de OITOCENTAS páginas. OITOCENTAS E CATORZE PAGINAS. Acho que é o livro mais longo que eu já li na vida. E não posso falar que é daqueles que você "nem vê passando". Essa edição, que paguei exatos zero reais, tem as letras bem pequenas e a narrativa é bem densa, então uma página valia por umas 5 de um livro normal.
   Ainda assim: eu amei esse livro. Mesmo. Sempre que eu penso em clássico penso em dilemas morais, páginas e páginas de reflexões filosóficas. A verdade é que esse livro é meio que um novelão, mas que trás muita reflexão mesmo.
   Diferentemente do que eu achava, temos dois personagens principais aqui: Anna Karenina, uma mulher aristocrata da Russia que acaba se envolvendo em um caso extra-conjugal com um militar bonitão. E por outro lado temos Levin (que alguns dizem que é uma representação do próprio Tolstoi), um homem apaixonado e recluso. A história corre essas duas "famílias" - aliás, relações familiares são o centro desse livro, como já deixa claro desde a primeira passagem (acima).
   Uma dificuldade: nomes. Tem um episódio de Gilmore Girls que o Dean diz que é impossível como o nome de todos os personagens terminam com "sky". Rimos e eu sofri muito para ler. Pra mim essa nem é a pior parte, mas sim a coleção de consoantes que vem até chegar no sky. No final eu precisei fazer uma folhinha pra lembrar quem era quem, tirando os personagens principais.
   Outra coisa é que por eu ter lido em inglês, muitas partes onde o Levin está discorrendo sobre suas idéias sobre os trabalhadores e sobre a agricultura foram muito difíceis e se tornaram chatos demais. Acabou quebrando o ritmo de leitura.
   A verdade é que eu não sei bem o que falar sobre esse livro, sinto que qualquer coisa que eu escreva não vai definir bem o que eu achei. Vou ser sincera que eu tenho um negócio de que quando o livro é muito longo e eu demoro demais para ler, eu sinto que acabo ficando um pouco agoniada e pensando "meu deus esse livro não acaba mais?" por mais que eu esteja amando. E esse foi o caso. Cheguei a fazer uma meta onde eu tinha que ler X páginas por dia para poder terminar. E apesar de ter amado o livro isso quebrou um pouco o encanto. Vou tentar reler em português mais para frente.

#61 | A Ilusão do Tempo | Andri Snaer Magnason | PT
- Você acredita ter conquistado o mundo, mas eu lhe digo uma coisa: ninguém conquista o mundo se não pode conquistar o tempo!
   Estou fazendo um projeto secreto porque sou a rainha de começar coisas e não terminar. Então me interessei bastante por esse livro, não só pela sinopse, mas por ser escrita por um Islandês.
   Os economistas prevem um período muito difícil, então grande parte dos seres humanos, incluindo a família de Vitória, decide entrar dentro de caixas misteriosas e acordar apenas quando os tempos forem melhores. Porém, passado alguns anos, Vitória acorda numa cidade fantasma - tomada pela natureza e animais. Ela encontra algumas outras crianças e uma senhora, que coleciona lendas sobre a Pangéia e a princesa Obsidiana e então passa a contar a história para essas crianças.
   Ou seja, temos duas linhas de tempo - de Vitória ouvindo a história e da história sendo contada - a história sobre três irmãs, animais e um rei apaixonado que decide conquistar o mundo e o tempo e sua filha. A história não é sutil na crítica aos adultos que passam muito tempo trabalhando para construir uma vida boa para seus filhos, sem sequer passar tempo com eles. E também na critica de que os dias precisam ser vividos, bons ou ruins. Pessoalmente gostei muito mais da história de Obsidiana. É um drama muito mais palpável e eu sinto que por passarmos mais tempo nessa linha do tempo, dá para se importar muito mais com os personagens do "conto de fadas" do que da vida real.
   Uma das coisas bem legais do livro é como ele consegue navegar pelos gêneros facilmente. Uma hora é de aventura, outra de fantasia, outra de ficção cientifica. O autor - que concorreu para a presidência da Islândia (cada um tem os candidatos que merece) - é ambientalista e suas visões também podem ser notadas ao longo do livro.
   Acho que foi um livro que trouxe umas reflexões legais, nada de novo, porém sinto que algumas coisas nós precisamos ser constantemente lembrados. Minhas ideias ficaram super bagunçadas, mas se quiser ler uma ótima resenha, clique aqui.

#62 | Para Ler Como um EscritorFrancine Prose | PT
A frase bem-feita transcende tempo e gênero. Uma frase bonita é uma frase bonita, não importa quando tenha sido escrita, ou se aparece numa peça ou num artigo de revista.
   Depois de ganhar o Nanowrimo ano passado eu resolvi ler sobre a escrita e esse livro aparecia por ai em vários lugares. Vou ser sincera: não achei tão bom. Ele é bem técnico e a autora disseca passagens de outros livros quase que palavra por palavra, linha por linha. Achei essa parte bem interessante. Ainda assim, é um livro que talvez eu não estivesse preparada para ler.  Senti que foram muitas linhas para poucas ideias novas.
   Ainda assim achei interessante como ela divide os capítulos e fala sobre personagens, narrativas, diálogos, tudo separadamente. É um livro interessante, mas achei muitas partes chatas. Talvez seja legal algumas partes apenas. Só que não sei se vou participar do Nanowrimo esse ano, já que estou me sentido bem desanimada com a escrita.

Lidos: Setembro (2017)

15.10.17

10.9.17

Lidos: Agosto (2017)

Agosto foi o mês em que eu (quase) só li quadrinhos. Viajei por boa parte do mês, então acabei que não tive muito tempo para a leitura. E também sinto que eu fiquei meio de bode depois da maratona em Julho. Ai enfim: acabei lendo várias HQ's legais.



#51 | Y: O Ultimo Homem | Volume 3 | Brian K. Vaughan | PT | ★★★★★

Curiosamente acho que esse foi o melhor volume até agora?
Ele atiçou ainda mais a curiosidade sobre como todo o desastre começou e qual a razão por todos os seres com o cromossomo Y terem morrido do nada.
Esse volume também trás de volta algumas tramas do primeiro volume, como as soldadas de Israel e ninjas. Agora estamos indo para o outro lado do mundo e o volume acabou com um gancho bem grande para o próximo! Queria que lançassem logo.


#52 | A Bela e a Fera | Madame de Beaumont e Madame de Villeneuve | PT | ★★☆☆☆
Esse livro tem os dois principais contos da Bela e A Fera, nas versões "originais". Achei a introdução bem interessante e se discute de onde pode ter surgido esse mito de uma fera humana. Entre as hipóteses temos Petrus Gonzales, um homem que nasceu com uma doença que fazia com que seu corpo fosse coberto de pelos. Isso foi em 1547 e naquela época ele foi tratado como um animal de estimação, sendo passado de nobre para nobre, até que uma senhora teve a brilhante idéia de testar se aquela "besta" poderia, com ensino, se tornar um humano educado. Depois de perceber que ele tinha a mesma capacidade de um ser humano normal, ela o casou com uma outra mulher muito bonita, que segundo dizem, desmaiou quando descobriu quem era seu marido. As pessoas não eram legais nem nos tempos antigos.
Achei o livro, tirando a introdução, bem ok. Ele apresenta duas versões, sendo a primeira bem mais curta que a segunda. Quase sempre temos uma filha dedicada entre vários filhos egoístas, que se sacrifica pela família. Depois, ao conseguir deixar de lado a aparência horrível de seu captor, acaba sendo compensada com um príncipe/rei lindo e eles vivem felizes para sempre.
Enquanto esse é um conto bem legal sobre como aparências não deveriam importar tanto, a gente se lembra que nos dias de hoje tudo segue na mesma, mesmo em filmes: temos uma moça linda, gostosa, bondosa e no final ela acaba com o cara feio de bom coração.
Acho que o caso é que o livro apenas não envelheceu bem. Enfim.


#53 | Monstress | Volume 1 | Marjorie M. Liu | EN | ★★★★☆
"To quote the poets... we're fucked." 
Primeiro de tudo: que arte ABSURDAMENTE linda. Sério. Se o tema não te interessar, compre apenas pela arte, recorte e cole na parede. Amo o estilo da ilustradora, misturando arte oriental e o art noveau.
Fiquei com um pouco de medo de ser uma arte bonita com a história apenas ok, como foi Hinterkind, mas eu estava super enganada. A história se passa num mundo aonde existem algumas raças, entre elas os humanos e seres meio humanos meio animais. Como sempre, eles estão em guerra e é ai que acompanhamos Maika, uma adolescente que sofreu muito na guerra e tem algum tipo de conexão com um monstro antigo.
Entre as outras raças temos, os gatos são como pensadores e poetas, sabem de tudo e além de tudo são sabichões (odeio essa palavra. qual seria a tradução de sassy?). E as bruxas.
Para ser sincera, esse primeiro volume foi um pouco confuso. Sabemos que Maika está buscando respostas sobre sua mãe e ela deixou muita coisa para trás. Curiosa pelos próximos.



#54 | Saga | Volume 4 | Brian K. Vaughan | EN | ★★★★★
“Admit it, you're probably a very different person at work than you are at home.
Everyone needs to be someone else sometimes.”
Apesar de Saga ser uma história sobre dois amantes de raças opostas de uma guerra espacial, com direito a androids com caras de televisão, os temas abordados no geral são bem reais: racismo, guerra, prostituição, vingança e vício.
Nesse volume ele se aproxima ainda mais da realidade quando deixamos um pouco de lado a perseguição pela galáxia e paramos em um pequeno planeta aonde nossos protagonistas estão tentando viver uma vida normal. De um lado temos Alana que arrumou um emprego como atriz numa novela espacial, cheia de dramalhão e mal tem tempo de ficar em casa com sua família. Do outro temos Marko, que cuida de sua filha em tempo integral e tem que lidar com a monotonia de se cuidar de uma criança sem poder ajudar a sustentar financeiramente a família. Se a Alana não tivesse asas e Marko fosse um feiticeiro com chifres, esse poderia ser um drama de qualquer um na terra.
Esse volume mostrou o que é um casamento de verdade - cheio de falhas, cheio de tristezas. As partes envolvidas num casamento nunca são perfeitas.


#55 | Saga | Volume 5 | Brian K. Vaughan | EN | ★★★★★
“Each new person we welcome into our hearts is a chance to evolve into something radically different than we used to be.
But what happens when those people disappear from our lives?”
Esse volume voltou com o ritmo dos volumes anteriores. Continua tendo muitas situações bizarras com um senso de humor bem peculiar (envolvendo esperma de dragão, por exemplo).
Porém esse volume foi o primeiro que me deixou bem triste com o final, que foi de cortar o coração. Já falei que queria abraçar essa família e dizer para eles que tudo vai ficar bem e eu nunca quis mais isso que agora.

Esse mês não foi muito bom de leituras e também não gostei muito das resenhas que escrevi. Acho difícil ser coerente e não dar spoilers de HQs.

Lidos: Agosto (2017)

10.9.17

12.8.17

Lidos: Julho (2017)

Mês de Julho foi um mês super legal de leitura. Rolou a MLI: Maratona Literária de Inverno, promovida (que chique!) pelo Vitor do Geek Freak. Basicamente a regra é: ler o máximo que você conseguir. Tem também uns desafios que eu cumpri todos - participei no nivel hard, porque qual a graça de fazer coisas fáceis risos.




#40 | Inferno no Colégio Interno | Lemony Snicket | PT | ★★☆☆☆
A timidez é curiosa, porque, da mesma forma que a areia movediça, pega as pessoas de surpresa, e, também como areia movediça, faz com que as vítimas olhem para baixo.
Essa série segue sempre uma fórmula. Isso não havia me incomodado até esse livro.
Os órfãos Baudelaire chegam em seu próximo lar horrível com adultos imbecis e abusivos, para morar num lugar ruim e o conde Olaf vai aparecer disfarçado para tentar roubar a fortuna dos órfãos e é claro que ninguém vai saber que é o conde Olaf.
Talvez eu tenha lido esse livro num dia ruim, porque ele me irritou bastante. Gostei bastante dos dois trigêmeos Quagmire, achei uma quebra pequena na fórmula e na grande massa de pessoas ruins que existem nesse universo. Mas o resto foi meio ok? Eu já sabia o que ia acontecer. Todos sabemos.
E eu sei que os livros são para crianças, mas ao mesmo tempo que ele aborda temas sombrios (morte por incêndio, assassinato, pessoas tentando roubar a fortuna das outras e regras gramaticais) ele ao mesmo tempo subestima crianças de entender coisas simples.
Tô ranzinza. Espero que o próximo livro seja um pouco melhor, porque ainda temos oito pela frente.


#41 | Matéria Escura | Blake Crouch | PT | ★★★★☆
Eu suponho que ambos estamos apenas tentando lidar com quão horrível o infinito realmente é.
Esse é aquele tipo de livro que você fica louco querendo saber o que vai acontecer e não consegue largar até terminar. Comigo foi assim, quase literalmente. Terminei o livro em algumas horas e negligenciei tudo o que eu tinha que fazer. Valeu a pena.
O livro fala de Jason, um cara normal, vivendo com sua mulher e filho. Ele é professor universitário, mas poderia ter sido um grande cientista. Sua mulher também era uma artista que poderia ter feito muito sucesso. Mas os dois tiveram que abdicar as ambições para cuidar do filho que quando recém nascido teve vários problemas de saúde. Um dia Jason é sequestrado por um estranho mascarado. Quando ele acorda, ele está cercado de pessoas que ele não conhece - mas que o conhecem. Ou mais ou menos. Para eles, Jason é um cientista muito bem sucedido e brilhante. Ele só não é casado. E não tem filho. E nessa o Jason precisa entender o que aconteceu: se é uma pegadinha muito boa ou ele está ficando louco e imaginou toda uma vida?
Todos nós já nos perguntamos "e se?". E se eu tivesse continuado com aquela pessoa? E se eu tivesse mudado de trabalho? E se eu morasse fora?
Como eu já disse, achei essa história sensacional. Ela me parece muito um filme sabe? A escrita é bem informal, há muitas frases de uma linha e muitos diálogos, o que dá uma sensação de rapidez na leitura. Você fica querendo saber o que aconteceu e mais importante, o que vai acontecer.
Achei que a primeira parte foi um pouco previsivel mas do meio do livro em diante eu achei sensacional. Muitas vezes eu não conseguia parar de virar as páginas para saber como aquilo ia terminar e cada vez mais a história de desdobrava de jeitos que eu não previa.
Eu só não sei direito se é um livro que eu iria reler. Como todo bom suspense ele perde um pouco a graça depois que você sabe como termina.
Uma nota: a tradução está um pouco meia boca. Não sou de ficar notando muito, mas tem muitas frases que estão estranhas e outras traduzidas literalmente. Tipo "i got this" (que seria um "deixa comigo) para "eu tenho isso".

#42 | Hinterkind | Ian Edginton | PT | ★★☆☆☆
Essa HQ é uma mistura de distopia com fantasia e eu achei que era uma ótima premissa. Depois que os humanos são quase extintos pela Peste e a natureza começa a tomar conta das cidades, outras criaturas fantásticas de contos de fadas, lendas e mitos voltam para tentar reconquistar seu espaço de direito.
Enquanto a premissa é legal, acho que ficou tudo meio jogado. Acompanhamos três núcleos e acho que isso ficou um pouco demais pro formato de HQ.



#43 | Northanger Abbey | Jane Austen | EN | ★★★★☆
“There is nothing I would not do for those who are really my friends. I have no notion of loving people by halves, it is not my nature.”
Meu livro do desafio: Escrito por uma mulher.
Que livro amorzinho gente. Temos aqui Catherine Morland, uma moça de seus dezessete anos que ama ler romances (no sentido de livros e não romances românticos). Super esperta né? Acontece que naquela época ler livros que não fossem técnicos, cheios de informação, não era considerado uma coisa boa.
Quando os vizinhos mais bem abastados a levam a Bath, ela conhece um mundo diferente do seu próprio, cheio de bailes, danças, livros e novos conhecidos. Lá ela conhece Henry Tiney, um moço super simpático e sua irmã, Eleanor, que moram na Abadia de Northager.
Os famosos romances góticos são alvos de critica da escritora neste livro: as situações mirabolantes e macabras que eles narram são alvos de chacota. Em um ponto da história, a Cath está tão imersa e tão doida das ideias com esses livros, que só pela menção do General Tilney estar sozinho com sua mulher quando ela morreu, ela já tinha certeza absoluta que ele tinha matado a moça ou que ela estava confinada em algum canto da abadia.
Ela também é super inocente em vários outros pontos da vida, a ponto de não perceber pessoas flertando na sua frente ou os avanços de homens indesejados. Por mais que dê raiva eu lembrei de mim mesma. Somos duas tapadas.
O final foi um pouco... anti climatico?, achei que poderia ter sido melhor, mas ainda assim gostei tanto quanto o único outro livro que li dela: Orgulho e Preconceito.

#44 | Aniquilação Jeff VanderMeer | PT | ★★★★☆
Afastei esse absurdo da mente; algumas perguntas podem nos destruir por dentro se a resposta nos for negada por tempo demais.
Meu livro do desafio: Com menos de 200 páginas.
Li o livro em quase que uma tacada só, porque assim como Matéria Escura, ele faz você virar e virar páginas até você chegar no final.
Aqui conhecemos a bióloga ou Pássaro Fantasma, um apelido carinhoso que seu marido deu à ela. Ela e outras três mulheres vão a área X, um lugar secreto e envolto por uma fronteira que o separa do mundo "normal". Elas fazem parte da décima segunda expedição, fazendo parte de um grupo seleto de pessoas que entraram nesse lugar, incluindo uma expedição que cometeu suícidio em massa, outra em que os membros atiraram uns nos outros e outra nas quais os membros voltaram ao mundo normal sem ideia de como isso aconteceu e também mudados de alguma forma.
Enfim, o livro trás vários mistérios e nos convida a desvendá-los. Além dessa curiosidade, também tem uma atmosfera de thriller e um pouco de terror, principalmente quando algumas coisas bizarras começam a acontecer.
Eu não sei se gostei desse livro, essa é a verdade. Talvez eu tenha gostado ou eu seja apenas curiosa demais para largar alguma coisa que eu ainda não entendi.
Fiquei curiosa para ler as continuações, mas fico com o pé atrás de o final ser meio "meh".

#45 | O Grande GatsbyF. Scott Fitzgerald | PT | ★★★★★
Em meus anos mais vulneráveis de juventude, meu pai me deu um conselho que jamais esqueci:
- Sempre que tiver vontade de criticar alguém - ele disse -, lembre-se de que ninguém teve as oportunidades que você teve.
Meu livro de desafio: se passa em uma época importante.
Tentei ler o Grande Gatsby na época em que o filme estava para ser lançado e desisti. Na época eu não me interessava por narrativas sem romance bonitinho, heroínas salvando o mundo e outros clichês do YA. Alguns anos depois eu não gosto mais dos mesmos temas.
Então o Grande Gatsby veio novamente para minhas mãos e eu tentei o ler novamente. E dessa vez eu amei. A história já é bem conhecida: Nick Carraway é de uma família proeminente do Oeste dos Estados Unidos e vai à Nova York para tentar a vida na grande metrópole. Ele aluga uma casa modesta em um bairro de mansões luxuosas. Ali ele reencontra sua prima Daisy e o marido Tom. Mais tarde conhece o famoso Gatsby, um homem que dá festas luxuosas para qualquer um que apareça, regadas a muito jazz e álcool (o que na época era proibido pela lei seca). Ele e Daisy tiveram uma história juntos, mas a falta de dinheiro de Gatsby na época não permitiu que os dois ficassem juntos.
O livro faz críticas ao consumo desenfreado, o materialismo e ostentação que marcou os anos vinte. Gatsby esbanja dinheiro, se tornou um self-made man por meios duvidosos, dá festas todas as noites para que aquela mulher que mora do outro lado da baía o note. Daisy é materialista e muitas vezes dissimulada. Ela não ficou com Gatsby quando ele não tinha dinheiro, algo que ela dá muito valor. Tom é o típico americano ignorante que temos imagem. Ele é racista, misogeno e hipócrita. Tem casos extra conjugais e se opõe à qualquer liberdade das mulheres.
O Grande Gatsby é um pouco de tudo. Fala sobre o romance, sobre a projeção de sonhos e idealização de pessoas. Fala sobre como viver sua vida tentando agradar os outros ou uma pessoa em especial pode ser perigoso e te deixar com nada no final. Sobre amizade verdadeira e interesses, sobre amor e a morte.



#46 | American Gods | Neil Gaiman | EN | ★★☆☆☆
“All your questions can be answered, if that is what you want. But once you learn your answers, you can never unlearn them.”
Meu livro de desafio: livro que tem críticas ruins.
Vou ser sincera que to lendo esse livro desde O ANO PASSADO. Na verdade eu li até uns 60% do livro e tava muito devagar e falei "depois eu continuo" e nunca continuei. Ele tem resenhas ruins e por isso decidi que era hora de terminá-lo nessa maratona. Fico bastante chateada porque esse é um livro que "poderia ter sido". Fantástico, criativo, melhor livro. Enfim. Poderia ter sido, mas não foi.
Aqui seguimos Shadow, um ex-presidiário que é solto alguns dias antes de sua sentença porque sua mulher morreu num acidente. Depois disso, meio sem rumo, ele conhece o Wednesday, um senhor estranho que oferece um trabalho para ele que é bem estranho também. Logo descobrimos que esse senhor é um deus e esta tentando juntar vários deuses antigos para lutar contra os novos deuses que estão surgindo e planejam retirar esses deuses antigos da mente das pessoas e com isso, os matar.
Esse é um livro que é meio ame ou odeie. É bem raro um meio termo. Enquanto eu gostei muito da premissa, dos personagens, achei a narrativa, principalmente no meio/final bem arrastada. Nada acontece e o que acontece é bem irrelevante para a história no geral.
O Shadow é quase que engraçado de tão sonso, é uma sombra mesmo. Num determinado momento a mulher dele conta uma coisa pra ele, que é bem chocante e ele responde algo como "putz". Sério.
O Wednesday é super engraçado, assim como o Sr. Nancy (o Anansi. Já li o livro com os filhos dele.).
No fim acho que se ele tivesse sido escrito mais sucintamente dava pra ter tirado um proveito enorme deles.

#47 | Northern Lights | Philip Pullman | EN | ★★★★★
“You cannot change what you are, only what you do.”
Meu livro de desafio: livro que você comprou pela capa.
Eu não comprei esse livro exatamente pela capa, mas comprei essa edição pela capa.
Eu também não sabia muito bem do que o livro falava, sabia que as pessoas tinham um demon, que é tipo um animal que é a alma dela, tinham ursos polares e a Nicole Kidman era a vilã no filme (que eu não vi até o final acho).
Só que a história é tão mais legal do que isso. Desde o primeiro capitulo ficamos sabendo que existe o Dust (Pó? Pela referencia bíblica eu diria que é isso.) e ele afeta de alguma maneira as pessoas. Algumas crianças começam a sumir. Tem a universidade de Oxford. Gente, que demais!
O livro fala muito sobre religião, sobre alma, sobre bem e mal, sobre pecado, tudo contado pelos olhos da Lyra, uma criança de uns onze anos. Gostei especialmente como o autor explica o mundo e os demons conforme a história vai andando e não explicando tudo bonitinho. No começo tudo fica jogado na sua cara, mas incrivelmente não te deixa perdido na história. Você vai aprendendo aos poucos como tudo funciona e tá tudo bem.
De vez em quando a história conta o ponto de outros personagens, que faz com que saibamos um pouco mais sobre a história e sobre a própria Lyra, o que nos deixa mais curiosos sobre como aquilo vai se desenrolar. Fiquei meio desanimada no começo com o arquétipo do The Choosen One, mas parece ser um pouco diferente.
A Lyra é inocente e muitas vezes comete erros, mas gostei muito disso nela. Apesar de não ser a mais brilhante ela tem aquele jeitinho de quem aprende as coisas na marra e precisa se virar. Adorei os gypitians, principalmente o Farder Coram. E o Iorek. Queria o Iorek pra dar um abraço. O final foi tão triste, mas me deixou animadíssima para ler a continuação.

#48 | Iracema José de Alencar | PT | ★☆☆☆☆
Meu livro de desafio: livro nacional.
Tive que ler esse livro para o colégio e lembro que desisti na época. E por desistir eu digo: li uma página e larguei. Sei disso porque eu tinha marcado a página que eu parei. Risos. Pensei que dessa vez eu, muito mais lida e muito mais culta, adoraria o livro. Risos.
Não que ele seja um livro ruim. A história é cheia de símbolos e críticas aos portugueses e a colonização do nosso país sem qualquer estima pelas pessoas que já estavam aqui antes ou a cultura delas. Mas a linguagem. Como diriam meus conterrâneos paulistanos: mano do céu. Além de ser ultra descritivo, além do necessário, na minha opinião, é uma linguagem antiga. Só que vendo resenhas, descobri que até na época em que foi publicado haviam críticas a linguagem do livro.
Acho meio estranho lançar um livro com uma linguagem completamente fora da realidade, mas ainda assim, cá estamos em 2017 ainda falando dessa virgem dos olhos de mel. (Aliás, me surpreendi com a quantidade de vezes que o autor conseguiu escrever a palavra "virgem" por página.)
Talvez eu ainda não esteja preparada para isso. Talvez eu nunca esteja.
Fiquei interessada em ler a edição da Panda Books, que parece bem legal e menos chata do que a original.



#49 | Wintersong | S. Jae-Jones | EN | ★★★★☆
“Life,” he said softly, “is more than flesh. Your body is a candle, your soul the flame. The longer I burn the candle...” He did not finish.
“A candle unused is nothing but wax and wick,” I said.“I would rather light the flame, knowing it will go out than sit forever in darkness.”
Meu livro de desafio: livro que você não sabe muito sobre.
Estava de olho nesse livro fazia um bom tempo, mas só pela capa. Sim, a capa é linda. Todos julgamos livros pelas capas. Enfim.
Descobri que a história fala sobre a Liesl ou Elisabeth, uma menina/mulher com seus dezenove anos, vivendo com sua família num vilarejo do que me pareceu a Alemanha. A moça vive nas sombras do irmão mais novo, um talentoso violinista e de sua irmã mais bonita. Ela é uma filha dedicada e não é egoísta em quase nada. Até que sua irmã é levada pelo Rei dos Goblins, que procura uma esposa, e Liesl se oferece como tributo em seu lugar.
Até quase o fim, eu não sabia se tinha gostado muito do livro. A escrita é muito bonita. A autora escreve de um jeito poético mas não a ponto de fazer umas metáforas bizarras. Ainda assim, ela escreve com muitas metáforas e explicações de música e partituras. Não sei o que as coisas significam nem em português, imagina em inglês. Creio que uma pessoa que entenda o que significa C menor e outras expressões musicais se divirta muito mais que eu. Aliás, isso atrapalhou um pouco, porque ela diz coisas assim e eu ficava: ok, mas isso é bom ou ruim? Me senti lendo inglês pela primeira vez, exceto que dessa vez eu não podia jogar no google e falar "ok, isso significa isso".
O romance também é um pouco estranho, mas creio que isso se deve ao desenvolvimento lento.
O final ficou aquele gosto meio amargo na boca? Num ponto da história estão contando histórias e surge a pergunta: Does this story have a happy ending? You'll have to tell me. E essa é meia a ideia. Não dá pra saber se é feliz ou não.

#50 | Ms. Marvel: Apaixonada | G. Willow Wilson | PT | ★★★★★
- Mio Ragazzo, você acabou de cair na zona da amizade.
- Amizade não é uma zona, seu idiota! Amizade é algo real e bom e qualquer um que não entende isso precisa de um dicionário.
Meu livro de desafio: livro com pontuação no título.
Esse era o único "livro" que eu tinha com pontuação no título. (Isso é o tipo de coisa que só se repara quando você faz uma maratona literária).
Enfim. Amei muito esse volume? Foi o meu preferido até agora. A Kamala está treinando seus poderes, está interagindo com outros personagens do universo da Marvel. Aliás, eu fiquei meio perdida, porque o Loki apareceu aqui, mas aparentemente ele virou um mocinho? Eu super queria que tivesse um guia de "onde começar a ler" e o que você precisa ler para entender as histórias.
Mas voltando: amo as alfinetadas que essa história dá? Não só em preconceitos religiosos, mas também em coisinhas estúpidas e machistas como a famosa friendzone que significa: eu queria que a moça fizesse sexo comigo mas ela só queria ser minha amiga. Genial.
Acho que essa foi meu volume preferido - queria que Kamala Khan e Ms. Marvel ganhassem o prestígio que merecem.

E foi basicamente isso. Vou ser sincera que depois disso estou um pouco de ressaca literária. E gostei de participar de uma maratona, acho que participarei novamente no verão.

Lidos: Julho (2017)

12.8.17

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