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22 fevereiro 2018

Não que eu seja uma especialista no assunto de dinheiro, economias e corretoras, mas sou uma especialista em pão-dureza, o que me faz sempre pensar em maneiras de economizar meu dinheiro suado. Isso não significa que eu não gaste meu dinheiro com besteiras.


1) Taxa de banco

Essa daí me pegou por anos. Quando eu abri minha conta eu não sabia que não existia possibilidade de não pagar taxa. Depois meu banco extinguiu a conta digital e eu não consegui mudar. Depois eu descobri que existe uma modalidade chamada de "Conta Essencial". Ela é uma conta obrigatória de todos os bancos, por lei e dá direito a um cartão de débito, algumas transações e folhas de cheque por mês. É uma ótima escolha se você não faz muitos saques ou não vai tanto no banco físico. Consegui fazer pelo atendimento online do Itau.
Depois de mudar para essa conta, eu abri uma no banco Inter. Ele é um banco novo e tem uma modalidade de conta 100% digital sem nenhuma taxa, nem para DOC/TED. Para transferir dinheiro para ele eu também não pago: é só eu gerar um boleto e realizar o pagamento pela minha conta normal e o dinheiro cai direto lá.
Economia: 330,60 por ano.

2) Anuidade cartão de crédito

Outra taxa que eu sempre pagava porque não existiam alterativas era a anuidade no cartão. Depois que o nubank surgiu, várias concorrentes também fizeram um cartão sem anuidades. Pedi meu nubank e demorei um pouco para ser aceita, mas depois cancelei meu cartão normal (já que me informaram que não poderiam zerar minha anuidade) e desde então não pago taxa. Ainda estou em busca de um cartão sem taxas que tenha um bom programa de pontos, mas por enquanto não achei.
Economia: 151,20 por ano.

3) Seguros que você fez sem saber

Acho que seguros são importantes. É aquela coisa que você paga esperando não usar. Só que em alguns casos você faz um seguro aqui, outro ali, assina e nem percebe. O valor é baixo e você pensa "ah, nem vou cancelar". Depois você passa anos pagando e pensa que aquele dinheiro poderia ser usado em outros lugares. No meu caso, foi um seguro de vida que me convenceram que eu precisava. Veja bem, se você tem dependentes ou não tem com quem contar em caso de alguma coisa, pode ser uma boa. No meu caso: sem filhos, morando com os pais, com dinheiro guardado para imprevistos. Cancelar foi mais fácil do que achei, pedi pelo chat online, me mandaram um documento que assinei e escaneei e pronto.
Economia: 343,68 por mês.

4) Taxas de DOC/TED

Hoje em dia com tantos bancos cada um tem conta em um lugar. Se você faz investimentos então, pode ter uma conta para cada corretora. No meu banco, o DOC/TED era cobrado no valor de 9,75 cada um. Eu sempre fazia 2 por mês, um para cada corretora onde eu invisto. Ou seja, eram quase vinte reais que eu não usava para nada todos os meses. Com minha conta digital eu faço essas operações não gastando nada.
Economia: 234 por ano.

BONUS

5) Ficar de olho em planos de operadora

Esse dinheiro não era bem meu, já que meus pais que assinam TV. Um dia entrei no site e descobri que o plano que tínhamos já não existia mais e o mesmo plano, custava QUARENTA reais mais barato. Liguei questionando e me disseram que nosso plano não foi atualizado e precisávamos ter pedido antes. Pedi na mesma hora. Dá para fazer a mesma coisa com o celular e telefone. Tente também pedir um desconto. Diga que vai cancelar o serviço, que gosta muito, mas não pode pagar. Seja simpático. O que você tem a perder?
Economia: 480 por ano.

Fazendo a conta, eu economizei 1059,48 por ano com essas mudanças. Dá pouco mais de 85 dinheiros por mês. E olha que eu não tinha muitos gastos supérfluos. Dá um pouco de trabalho? Sim. Vai depender de algumas coisas que não dependem de você (ser aceita no banco, ser aceita pelo cartão, etc)? Sim. Mas com esse dinheiro dá para fazer muita coisa! De 1 em 1 real você economiza muito. Tente sempre pensar em quanto aquilo fica depois de 12 meses e sua cabeça vai mudando!
18 fevereiro 2018

Era para ter postado isso no começo do mês. Mas as vezes a vida acontece e acaba jogando seus planos pro ar. Não tem nada o que fazer além de pegar tudo que foi derrubado e continuar de alguma forma, mesmo que estejamos atrasados.




#1 | Eleanor Oliphant está muito bem | Gail Honeyman | PT
"As pessoas não gostam desses fatos, mas não posso evitá-los. Se alguém pergunta como você está, deve dizer BEM. Não deve dizer que chorou até dormir na noite passada porque não falava com uma pessoa por dois dias consecutivos. BEM é o que você responde."
A Eleanor é uma mulher diferente, mas está completamente bem com isso, muito obrigado. Ela tem um trabalho ok, no qual não tem nenhum amigo e é alvo de piadas maldosas. Ela volta para casa nos fins de semana e enche a cara com vodka até a segunda, onde volta para o trabalho. Fala com sua mãe uma vez por semana. Tem uma planta que consegue manter viva na maior parte do tempo. Mas ela realmente não liga para nenhuma dessas coisas.
Comecei o livro no ano passado e não levei ele junto comigo de férias. Ele foi super rápido de ler: os capítulos são curtos e a escrita é bem gostosinha. O livro é escrito em primeira pessoa, então conseguimos entrar na cabeça da Eleanor, que não é exatamente normal. Ele é um livro super engraçado, até o ponto que pisa nos seus calos. É aquele tipo de humor depreciativo. Uma hora você está rindo, na outra, chorando.
É um livro honesto sobre uma mulher de 29 anos que não entende como a sociedade funciona direito, aprendendo como é fazer depilação com cera e descobrindo maquiagens. Mas é muito triste ao mesmo tempo ver os colegas dela fazendo piadas, ver a solidão, ela se "apaixonando".
Eu estava esperando um livro bem diferente e fiquei muito feliz com o que li.

#2 | Warcross | Marie Lu | EN 
"Death has a terrible habit of cutting straight through every careful line you've drawn between your present and your future."
Warcross é um jogo de realidade aumentada. Desenvolvido por Hideo Tanaka quando ele tinha 13 anos, junto com óculos, as pessoas conseguem entrar em um mundo virtual que muitas vezes interage com o mundo real. Emika Chen é uma órfã que trabalha como caçadora de recompensas, pegando pessoas na vida real que não são tão importantes para que a polícia se preocupe. Depois de descobrir uma falha no jogo e chamar atenção para si mesma, ela é contratada pelo criador do jogo para ser espiã dentro do jogo.
No geral eu gostei bastante do livro. Acho que a Marie Lu é uma ótima escritora porque ela não cria histórias preto no branco. Ninguém é completamente bom ou completamente ruim. As pessoas fazem as coisas porque acreditam que seus motivos estão certos. Achei que foi interessante ler isso num livro YA.
Só que, ainda assim, a autora não consegue fugir de alguns tropes de YA e o final me deixou meio receosa. Enquanto eu adoro ver pistas do que vai acontecer no final, tem sempre um limite para que isso se torne forçado. Odeio ver que tudo esta ligado e alguns dos meus clichês mais odiados estão no livro.



#3 | Saga: Volume 6 | Brian K. Vaughan | EN 
“...anyone who thinks one book has all the answers hasn't read enough books.”
Esse volume não foi o meu preferido.
Não que tenha sido ruim, mas Saga é uma história tão legal e acho que esse volume acabou um pouco quebrado. Alguns personagens, tipo o The Will e todo o núcleo dele estavam um pouco arrastados. Acho que com o final do ultimo volume eu só queria saber da história da Hazel, de rever os pais, da mãe do Marco... Acabou quebrando um pouco o ritmo. E esse foi um dos poucos que terminou sem um suspense muito grande. Só tenho mais um volume para ler (tem outro lançado, mas só pretendo comprar mais para frente). Fico pensando se essa história tem uma maneira certa de acabar ou se o autor vai ficar criando HQ's meio que para sempre.

#4 | Volta ao Mundo em 80 dias | Jules Verne | PT
"Palavra de honra", ruminou Passepartout, um pouco espantado no início, "conheci no Mme. Tussaud bonecos tão cheios de vida como o meu novo patrão!"
Vou ser sincera que não tinha ideia do que esperar ao ler esse livro. Eu não imaginava como ia ser a narrativa, quem iam ser os personagens, enfim, não tinha ideia. Mas a surpresa foi bem legal.
O protagonista, Phileas Fogg, é um senhor inglês muito tradicional. Tem uma maneira correta para cada coisa e a vida é feita de horários. Ele demite seu ajudante atual porque ele levou sua água de barbear numa temperatura de um grau abaixo do que ele gostaria e isso foi inaceitável. Seu novo ajudante, um francês que já viu muito da vida, quer apenas paz e sossego, e seu novo empregado vai trazer exatamente isso.
Até que, no mesmo dia desta contratação, o sr. Fogg vai ao clube e faz uma aposta de que consegue atravessar o mundo em 80 dias. Chega em casa e apressa o novo empregado para saírem na mesma noite já que a fortuna dele está em jogo. Eles passam por vários lugares, da França ao Egito, Índia e Japão.
E o livro inclui relatos e detalhes bem interessantes sobre esses lugares. A vontade que dá é de colocar tudo dentro de uma mala e viajar.
Fora que achei esse livro muito engraçado. O escritor tem uma maneira de colocar as coisas, como a situação acima, onde o empregado buscando sossego é levado as pressas para uma viagem voltando ao mundo, que é de um humor meio peculiar, mas eu adorei. O livro todo vai nessa onda de humor e eu achei que a leitura foi muito legal e bem diferente do que eu esperava. Da metade para o final eu não conseguia largar, querendo saber se o protagonista conseguiria chegar a tempo e a cada contratempo que aparecia eu sofria.
Interessada em ler outros livros do autor. Aliás descobri que ele tem uma "série" de Viagens Extraordinárias, que inclui outros livros como Viagem ao Centro da Terra, 20 mil léguas submarinas.



#5 | Card Captor Sakura Vol.1 | CLAMP | PT
Sempre quis ler Sakura - um dos meus desenhos (porque quando eu era criança falávamos desenhos e não animes) preferidos. Aliás, uma vez resolvi que eu queria ter o cabelo da Sakura. O resultado foi no mínimo, desastroso (agradeço que não existiam smartphones e câmeras digitais naquela época).
O primeiro volume sempre estava num preço absurdo, por estar esgotado em todos os lugares. Por alguma mágica, relançaram, mas apenas os 12 volumes juntos.
O primeiro volume é bem básico mesmo, as primeiras histórias, a introdução de alguns personagens (incluindo Yukito, meu amor de infância), algumas cartas Clown. Para ser sincera eu mal me lembro como a história termina, mas quero ler tudo o quanto antes.

#6 | Harry Potter and The Chamber of SecretsJ. K. Rowling | EN
It is our choices, Harry, that show what we truly are, far more than our abilities.
Não tem muito o que dizer de Harry Potter né? Sempre que a vida fica dificil eu tiro meus livros da estante. Sempre me lembro de uma época melhor da minha vida quando leio os livros. Aliás quero rever o filme também. Esse é meu volume menos-preferido dos sete. Mas também foi onde comecei minha teoria que se a Hermione fosse a escolhida ela resolveria tudo em 4 livros.



#7 | Retorno a Brideshead | Evelyn Waugh | PT
"Quando as pessoas odeiam com toda essa energia, é algo nelas mesmas que elas odeiam."
Eu assinei a TAG - um clube do livro mensal, por assim dizer, depois da indicação da Chimamanda. Era para ter cancelado no mês seguinte, mas acabei esquecendo e chegou o mais ou menos - Três Marias - da Raquel de Queiroz. Depois o de Dezembro era um dos favoritos do Gabriel Garcia Marques e acabei não cancelando, mas não consegui ler ainda. Queria muito ter a experiencia completa, de poder comentar sobre o livro com outras pessoas no mês certo e decidi que leria o de Janeiro assim que chegasse.
Primeiro: a edição é linda. Eu adoro julgar livros pela capa, mas não tem um pedaço do livro que não chame a atenção. O único ponto fraco é a tradução, que me parece meio antiga, como se tivesse sido feita nos anos 50-60, cheias de expressões que não se usa mais. E a quantidade de notas de rodapé. Acabou me distraindo um pouco. Mas fora isso, adorei o livro.
A história segue Charles Ryder, um soldado do exército na segunda guerra mundial. Um dia, quando seu pelotão está mudando de lugar, ele chega a um lugar que já foi muito importante para ele: a mansão Brideshaw. A partir dai ele relembra seus anos de juventude e tudo que se passou naquele lugar.
Achei que foi um livro incrível. Não vai ser um livro para todos, mas para mim, as descrições e a escrita do autor foram fantásticas. Faziam sentir como se estivesse no ambiente. E a história é lenta, mas me parece que está mais "por trás" do que nas páginas.. Como por exemplo o (suposto?) relacionamento entre Charles e Sebastian. Só depois de ler um comentário perguntando se eles eram gays, eu comecei a reparar em algumas coisas (como por exemplo Charles estar presente enquanto Sebastian toma banho ou os dois tomando sol pelados juntos. Ok, fui meio tapada?). De qualquer maneira, nada é explicito.
O Sebastian foi um dos meus personagens preferidos. A decadência dele é sutil e acaba desencadeando diversos eventos que também vão destruindo sua família. O Charles é apaixonado por eles: pelo estilo de vida, pelo dinheiro, pelo lugar.


13 janeiro 2018

SOBRE 2017

2017 foi um ano de crescimento absurdo para mim. Isso pode ser uma coisa boa ou ruim. Comecei 2017 recém saída da faculdade (no qual o diploma eu AINDA não recebi, mas essa reclamação fica para outra hora), de branco (com a mesma blusa com que eu escrevo esse post, não que isso faça alguma diferença) e na casa de uma amiga.

Talvez eu possa dizer que 2017 tenha sido o pior ano da minha vida. Perdi pessoas queridas, tive que ser muito forte por muitas pessoas, tive que amadurecer na força.

Se amadurecimento fosse uma piscina, eu teria sido aquela pessoa que está com as perninhas na água e de repente aparece um babaca que te empurra para dentro com tudo. Eu caí lá dentro, engoli um pouco de água e por um segundo achei que ia me afogar. Mas no final cheguei na superfície e consegui respirar. Essa repetição de afoga-respira-tenta nadar para fora foi mais ou menos o meu ano. Bem legal, não?

Teve muitos dias onde eu não queria mais viver. Isso é dramático demais. Talvez seja melhor: teve muitos dias onde eu só queria chorar e possivelmente morrer. Teve muitos dias onde ser forte pelos outros foi a única coisa que me fazia levantar da cama. Teve dias onde eu bebi muito e vomitei e chorei no meio das festas (linda a imagem, eu sei). Teve dias onde eu dirigi enquanto eu me debulhava em lágrimas. Teve dias em que precisei encostar o carro para chorar. Teve dias onde eu passei deitada na cama, lendo ou vendo alguma série, porque a vida era demais para mim.

Eu queria poder dizer que era tudo um plano para que eu aprendesse algumas coisas - eu aprendi, mas não acho que o Universo (com letra maiúscula) se importe muito comigo a ponto de me ensinar lições. Aliás essa foi a lição mais importante que eu aprendi: as coisas acontecem. Não tem nada haver com lições do universo como num livro, com crescimento e desenvolvimento de personagens. As coisas simplesmente vão acontecer, quer você esteja preparada para lidar com elas ou não.

Você pode chorar, espernear, mas isso não muda o fato de que as coisas acontecem porque vão acontecer. Você pode tentar tirar alguma coisa daquilo (sempre tento, afinal se a situação já foi 100% merda é bom tentar ser Poliana Safadão e transformar pelo menos 1% em algo bom) ou não.

Então algumas coisas que eu aprendi depois de refletir sobre esse ano:

Fazer terapia foi a melhor coisa que eu fiz esse ano, foi uma das coisas que mais me ajudou a aguentar esse ano. Cuidar de si mesmo não é algo errado e egoísta. Agradeço às pessoas que me ajudaram nessa decisão e agradeço também a Isa, que compartilhou esse post e me ajudou muito! Acho que nunca agradeci a ela por isso.

Cuidar do seu corpo e da sua aparência é muito importante. Não é algo que eu fazia com frequência e algo que eu abandonei no começo do ano passado, mas estou voltando a cuidar de mim mesma e me amar mais. Também: cuidar bem do corpo com exercícios e comida de verdade é importante para o seu corpo não te odiar e te sabotar.

Preciso de muito menos coisas do que eu desejo. Apesar de não ter concluído meu buying ban, eu percebi que minha relação com meu dinheiro era no mínimo, complicada. Esse ano quero mudar muito minha relação com o dinheiro.



12 LIVROS PARA 2018



Resolvi fazer essa lista mais como uma guia. São uma mistura de livros que eu queria muito ler mas acabei abandonando, que sempre postergo a leitura por saber que o livro trata de assuntos pesados, livros que estou muito curiosa. Enfim, uma pequena lista de livros para ler nesse ano:

1. O Xará - Jhumpa Lahiri
2. Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
3. Toda Luz que Não podemos ver - Anthony Doerr
4. A História Secreta - Donna Tartt
5. Em Busca de Watership Down - Richard Adams
6. Uma Vida Pequena - Hanya Yanaguihara
7. Mansfield Park - Jane Austen
8. O Corcunda de Notre Dame - Victor Hugo
9.  O Mestre e Margarida - Mikhail Bulgarov
10. Volta ao mundo em 80 dias - Jules Verne
11. Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
12. A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert - Joel Dicker

Fora isso não tenho muitas metas para as leituras. Quero me manter no meu limite, sem comprar mil livros sem necessidade. Queria muito diminuir os livros que eu tenho sem ler e terminar algumas séries. Quero continuar meu projeto de ler livros do mundo inteiro. Mas não quero colocar um número (apesar de acabar de ter feito isso agora mesmo). Ano passado li muitos livros que me fizeram refletir bastante, querer sair por ai conversando sobre os livros e teorias e o que significava a tal da cortina azul. Quero ler mais livros assim esse ano.

OUTRAS METAS


Minhas outras metas incluem:

- Investir dinheiro todos os meses (e ficar RICA)
- Fazer mais exercícios (3 vezes na semana, pelo menos)
- Comer mais saudável (descobri que meu corpo não me odeia quando eu não trato ele mal e encho de porcarias)
- Escrever mais (diários, contos, aqui no blog, nas paredes (mentira))
- Diminuir lixo produzido e o consumo
- Diminuir o consumo de carne
- Meditar todos os dias
- Tirar o dente do siso (metas da vida real gente)
- Aprender a costurar
- Aprender a andar de bicicleta
- Postar mais aqui. Sempre fico querendo postar um monte de coisa, mas ai não tenho fotos legais ou acho que não vai combinar com o blog. No fim isso aqui é meu, vou escrever mais. (alguém disse participar do beda? sai correndo)


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E também: layout novo! Eu troco layout a cada mês, eu sei, mas nunca fico muito contente com os layouts - já perdi a prática da coisa. Ai que fuçando pela internet, achei o blog da Gabi e no finalzinho do ano ela postou um template para blogger freebie MUITO legal. É claro que eu modifiquei um monte de coisa (gosto mais de ver os posts inteiros). Se ficou meio cagado é 100% minha culpa, porque o layout original era perfeito.

Dessa vez eu tentei deixar tudo como eu queria e acho que deu certo. Outra meta: não trocar de layout esse ano pode ser????

11 janeiro 2018

Meu objetivo era postar isso logo no final de Dezembro, mas as férias e o cansaço venceram, acabei deixando para o começo desse ano. Li quatro livros no mês - uma HQ muito boa e o melhor livro da minha vida.



#74 | Y: O Ultimo Homem Volume 4Brian K. Vaughan | PT
   A cada volume que eu leio dessa HQ eu penso em como ela não pode ficar melhor e em como ela sempre fica. Esse volume focou muito mais nas companheiras do Yorick, o que me fez muito feliz. Descobrimos coisas do passado das duas. A agente 355 se abre sobre sua familia e o que a levou a se tornar uma agente numa agencia secreta. A Dra. Mann também ganha a história familiar e descobrimos mais sobre aquele experimento que ela comentou nas edições anteriores.
   Estou meio triste que este o próximo é o ultimo volume. Quando pegar a próxima, vou reler tudo!




#75 | The Fifth SeasonN.K. Jemisin | EN
“For all those that have to fight for the respect that everyone else is given without question.”
   O mundo vai acabar. Três coisas acontecem: uma mulher tem seu filho brutalmente assassinado pelo marido, a maior cidade do império é destruída e uma fenda se abre por todo o continente, jogando cinzas que escurecem o céu por anos.
   A mulher, Essun, é uma Orogene, um tipo de pessoa que pode utilizar poderes da terra, "puxando" a energia de coisas vivas para utilizar poderes. Também seguimos outros dois pontos de vista: Syenite, uma orogene que está no Fulcrum, a organização que estas pessoas tem para serem mantidas na linha e precisa fazer algo bem desagradável. E Dayama, uma menina de pais "normais" que descobre ser Orogene em um ataque de raiva e é levada por um dos guardiões.
   Esse livro é bem difícil no começo. Essas informações que eu falei ai encima são espalhadas pelas primeiras 100 páginas. A autora te joga no meio da história e além de entender o que está acontecendo, você precisa entender também o mundo e as protagonistas dos livros e seus passados. E isso é bem complicado. Não me surpreendo se muita gente desistir desse livro antes de chegar nas 150 páginas, quando você já está meio que habituado a tudo e consegue seguir a história.
   A autora aborda preconceitos - os Orogenes são perseguidos e controlados, religião - os sacerdotes carregam escrituras sagradas que falam sobre como as pessoas tem que viver e porque os orogenes são maus, um castigo do Pai Terra, sexualidade, abuso e muitas outras coisas. Definitivamente não acho que é um livro YA. Acho que é um paralelo nada sutil com a escravidão, principalmente nos estados unidos. Os próprios Orogenes são chamados (ou xingados) de rogga, que me pareceu muito a palavra nigga (do inglês é uma expressão preconceituosa com negros).
   Me apeguei bastante a Syenite. Acho que ela é a personagem que mais aparece e tem um ponto de vista "normal" na terceira pessoa. Isso porque a Essun, que está traumatizada depois de perder o filho, tem um ponto de vista um pouco diferente - escrito na terceira pessoa, na forma de "você", porém misturado com a primeira pessoa. Isso acabou afastando um pouco a minha leitura dela e foi bem complicado, mas creio ser bem proposital para mostrar a confusão mental da mulher. Aliás depois de um tempo dá para perceber que as narrativas não estão no mesmo período e quando elas se juntam você fica de cara no chão (ou eu fiquei pelo menos!).
   Aqui temos representação: quase todos os personagens são negros e temos diversas orientações sexuais. Nós temos diversas formas de amor. E a hora que todas as histórias se encaixam são demais! Fiz a cara do Andy de Parks and Recs no final.

#76 | O Assassinato de Roger AckroydAgatha Christie | PT
“The truth, however ugly in itself, is always curious and beautiful to seekers after it.”
    Quis ler um pouco de Agatha Christie e sempre que eu buscava por melhores livros apareciam os mais famosos: O Assassinato no Expresso do Oriente e E Não Sobrou Nenhum. Esse terceiro livro sempre estava acompanhando os outros dois em qualquer lista que eu peguei. Então, aproveitando minhas férias de final de ano, resolvi pegar para ler (nada melhor que um livro de mistério para te acompanhar na praia).
   Para minha surpresa, acertei o/a assassino/a! Acho que minha paranoia é tão grande que quando os autores descrevem qualquer coisa eu já fico pensando se isso é relevante para a história. O mais engraçado é que isso não funciona quando o assassino é muito óbvio - eu sempre penso que é óbvio demais e acabo criando explicações na minha cabeça cuja probabilidade é minima.
   Sobre o livro: merece sua posição nas listas.


#77 | Cem Anos de SolidãoGabriel Garcia Marquez | PT
Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo.
   Ai entramos no melhor livro que eu li na minha vida. Para ser sincera, minha maior vontade depois de fechar o livro quando eu terminei foi reabrir na primeira página e ler tudo novamente. Só não o fiz porque eu queria ter uma caderno e uma caneta, anotar coisas nas bordas e marcar passagens. A verdade é que esse livro é incrível. Merece cada premio que recebeu, cada resenha positiva, cada palavra escrita sobre ele.
   Acompanhamos não um só personagem principal, mas toda a estirpe da família Buendia, desde a chegada de seus primeiros membros em Macondo até a decadência e fim deles. Esse é o livro que "fundou" o gênero de realismo mágico, denominação que o próprio autor não gostava muito. Segundo ele, não tinha nada mágico sobre essa história: era apenas a maneira como algumas pessoas viviam a realidade.
   Esse livro me fez refletir muito como ser latino americano influenciou na minha experiencia de leitura. E isso, de cada um interpretar a realidade de uma maneira diferente é a mais pura verdade. Meu pai é argentino e quando estávamos voltando da viagem de fim de ano, ele nos contou como há um lugar perto de onde ele nasceu, um deserto, onde há um santuário para uma mulher que, segundo as lendas, morreu atravessando o deserto enquanto estava com um bebê, mas ela conseguiu alimentar seu filho com leite mesmo depois de morta e ele sobreviveu. E que as pessoas sempre levam coisas para esse santuário, mas que se roubam as oferendas, algo dá errado e a pessoa não consegue ir embora. Então quando os ônibus estão saindo e não conseguem dar partida, os motoristas dizem que não vão sair até devolverem o que roubaram. Talvez algumas pessoas achem isso uma fantasia - poderia ser - mas para o povo de lá isso é a realidade normal de todos os dias.
   Só sei que quero ler tudo que esse homem escreveu e ler muitas coisas de realismo mágico.
07 janeiro 2018

Esse é o mês onde bati minha meta de livros para ler esse ano. Estou repensando toda a minha relação com os livros e metas (a Ariel Bisset colocou um vídeo muito legal sobre como a leitura se tornou uma competição).




#68 | Tartarugas até lá embaixo | John Green | PT
   Quando vi que o John Green ia lançar um livro depois de muito tempo, não fiquei muito animada. Sempre que limpo minha estante penso em me livrar dos livros (todos) que tenho dele, simplesmente porque não sei se vou relê-los um dia. Ainda assim, não fui capaz de me livrar de nenhum até agora, mas não ia comprar o novo. Porém depois de todas as pessoas que eu sigo em todas as redes sociais falarem que esse é um livro completamente diferente, eu acabei cedendo. E não me arrependi.
   Tartarugas até lá embaixo conta a história da Aza Holmes. Ela e sua melhor amiga Daisy descobrem que há um milionário fugitivo e que coincidentemente, Aza foi amiga de um dos filhos dele quando mais nova. As duas então começam a procurar pistas para poder pegar o dinheiro da recompensa.
   Essa é a premissa do livro, porém o mais interessante de tudo é a própria Aza, que sofre de TOC e ansiedade, tem diversas crises e está sempre numa espiral de pensamentos.
   Acho que sempre dá para perceber quando um livro é escrito por alguém que já vivenciou aquilo que está escrevendo e este é um dos casos. O autor já falou sobre o transtorno obsessivo compulsivo e como ele afeta sua vida e essa vivência transparece no livro. Para mim, que também vivo com ansiedade, é tudo muito palpável. Consegui me relacionar muito com a Aza, com as espirais infinitas de pensamentos, com a falta de conexão com o mundo real, com o sentimento de não estar no controle da sua própria vida.
   E mesmo que seja cercado de repteis estranhos, adolescentes presunçosos, bilionários excêntricos, esse livro é, acima de tudo, real. De como viver com uma doença mental é exaustivo, de que um amor não vai curá-la, de que nem sempre é possível estar lá para as pessoas que te amam e que de vez em quando, você e sua doença acabam sendo um fardo para elas. De que a terapia não é fácil e se conectar com seu terapeuta é mais difícil ainda, que remédios não são sempre uma solução e, mais importante, é possível viver com essas doenças.
   Foi um livro bem "agridoce" (não gosto muito dessa palavra para descrever, mas enfim). Ele não termina com tudo lindo, doenças curadas, amores novos e sorrisos. É um final bem real e finais reais raramente terminam com tudo bem.

#69 | Sandman - Volume 1Neil Gaiman | PT
   Finalmente. Estou tentando completar minha coleção de Sandman já faz uns anos, mas estavam esgotadas em todos os lugares. Acabei comprando o volume 4 porque era o único que tinha na intenção de ir comprando aos poucos os outros. No ano passado, durante a bienal, relançaram o primeiro volume e eu acabei achando o terceiro no estande da Panini com super desconto. Só ficou faltando o segundo, que só foi lançado agora no final desse ano. Terminada a minha saga, resolvi ler Sandman. Acho que é o melhor trabalho do Gaiman até agora.
   A história acompanha o Sandman, o senhor dos sonhos, que é capturado no lugar de sua irmã, Morte e fica preso por muitos e muitos anos. Enquanto isso, o mundo acaba desandando um pouco e as armas de Morpheus (outro nome dele) são roubadas e espalhadas por ai. Depois que ele consegue se soltar, ele precisa se vingar e recuperar suas coisas.
   Achei que a história ia ser grande parte sobre essa jornada em busca das armas dele, mas ela se resolve bem rápido até. Depois achei que as coisas seriam meio episódicas, mas pelo que consegui entender, temos um arco bem maior de história para ser contada.
   Não sei nem o que falar: é uma história fantástica! Recomendo que comprem todas as edições, aproveitar que ainda estão em estoque por ai.



#70 | História do Novo SobrenomeElena Ferrante | PT
   Li o primeiro livro da série Napolitana em janeiro. Fiquei esperando o último livro ser lançado aqui para poder ler tudo de uma vez e comprei em uma promoção da amazon. Só que não peguei imediatamente para ler. Por algum motivo, eu não queria ler naquele momento. Mas acabei pegando para ler em outubro e a leitura se arrastou para novembro. Isso não significa que foi ruim.
   A história começa logo após os eventos finais do primeiro livro. Desta vez seguimos Lenu e Lila em suas novas condições - Lenu continuando seus estudos, uma das únicas do bairro e Lila como uma mulher casada. E seguimos as duas até mais ou menos o começo da vida adulta.
   Quando eu disse que a leitura se arrastou, não é porque foi ruim ou penosa. Apenas porque esse livro é muito pessoal. Quase sempre eu uso a leitura como um hobby, um escapismo ou uma maneira de aprender coisas novas. Mas aqui quase não havia coisas novas a se aprender. Não era exatamente um hobby e eu não conseguia escapar porque o livro me trouxe para perto demais da minha realidade.
   A maneira com que me identifico com Lenu, a narradora da história, é surreal. Acho que talvez por isto que estes livros são tão aclamados por mulheres ao redor do globo: eles mostram a verdade. A verdade sobre relacionamentos entre mulheres, não o pregado pelo feminismo moderno, mas o antigo - aquela relação que navega entre a amizade e o companheirismo até a inveja e o ódio, como um barco bêbado no mar. A verdade sobre casamentos e a cultura machista que ainda está na sociedade e como ela afeta as mulheres, não só as que são vítimas diretas, mas as que propagam pensamentos machistas apenas porque é tudo o que elas já tiveram acesso. Sobre os sacrifícios que precisamos fazer as vezes apenas por sermos mulheres. A verdade sobre aquele lado feio que todos nós temos, mas guardamos a sete chaves dentro de nossas cabeças e quase nunca permitimos que as outras pessoas vejam.
   É muito fácil dizer coisas como "Lenu é invejosa" ou "Lila é egoísta". Temos duas mulheres que fazem o que foram ensinadas a vida toda. Elas competem e se amam e se odeiam. Elas rompem amizades e reatam, elas amam homens e os deixam com a mesma rapidez. Aqui aquele lado feio é escancarado por uma narradora sem escrúpulos ou medo de parecer uma mulher "ruim". Estamos acostumadas a mulheres perfeitas ou com defeitos que beiram ao ridículo: perfeccionistas, um pouco depressivas, gostam de cafajestes. Aqui temos um ser humano completo, com pontos bons e ruins. E isso é lindo de se ver.
   Porém, ler os pensamentos de Lenu nas páginas era quase como um soco no estômago. Porque além das descrições dos sentimentos, eu também conseguia senti-los. Não só porque fui transportada para dentro do livro, mas porque o livro estava quase se mesclando à minha vida e ao meu passado. Não se sentir a melhor - a mais bonita, a mais inteligente, a mais legal, aceitar qualquer tipo de amor apenas porque acha que não merece nada a mais, ver pessoas que você ama preferirem outra pessoa e ver essa pessoa, que antes não se interessava por esta mesma pessoa, se apaixonar perdidamente por ela.
   É tudo tão pessoal que foi difícil passar por essa leitura sem relembrar a vida e sem refletir sobre ela. Ainda assim, ela me trouxe um questionamento. Algumas vezes, durante a leitura, eu pensava "Mas Lenu, porque faz isso? Você não consegue ver?". E depois pensei, "será que eu conseguiria ver?". Talvez todos sejamos cegos na nossa própria história e só conseguimos ver as coisas claramente depois que elas passam. Mas é um lembrete para sempre manter os olhos abertos.
   Enquanto eu quero muito ler o resto da série, não sei se é algo que eu consigo fazer agora.



#71 | The Sun and Her FlowersRupi Kaur | EN
   Li o outro livro da Rupi Kaur no começo deste ano e gostei bastante. Foi uma alegria grande poder falar que eu estava lendo e entendendo poesia. E esse livro lançou e claro que fui ler também.
   Aqui a "estética" dos poemas segue a mesma linha - frases simples e bonitas, sem muita métrica e outras coisas que aprendemos na aula de português quando somos mais novos.
   Tem gente que chama esse estilo de novo, algo como a poesia da nossa geração, enquanto outros chamam de frases mal pontuadas. Cada um atira a pedra onde quiser. Pessoalmente eu gosto muito.
   Enquanto o outro livro falava mais sobre amor e relacionamentos, este também dá uma grande abertura para o amor, mas para relacionamentos mais gerais - amizade e família também estão incluídos, inclusive focando bastante na história da mãe da Rupi, que é imigrante. Aliás toda essa questão de imigrantes e refugiados é abordada.

#72 | As Três MariasRaquel de Queiroz | PT
   Esse foi meu segundo livro da TAG, mas o primeiro que eu li. Por coincidência, terminei no dia do aniversário da autora e no mesmo dia que Mario escreveu sobre o livro em 19...
   O livro acompanha Guta, a Maria Augusta, uma menina que entra em uma escola de freiras após a morte da mãe. Lá ela encontra duas meninas que se tornarão suas amigas: Maria da Graça e Maria Jesus.
   A verdade é que eu não sei bem se gostei do livro. Achei bem triste tudo sobre a Guta, mas também não me senti triste por ela. Eu não consegui me conectar muito bem, parte pelas personagens distantes e parte pela escrita.

#73 | O Milagre da ManhãHal Elrod | PT
   Vi sobre esse livro no canal da Fran e resolvi ler por completo, fazia tempo que não lia uma não-ficção.
   O autor fala sobre como começou uma rotina, que é utilizada por várias celebridades e pessoas ricas e prósperas, e como essa rotina melhorou a vida dele e o fez dar a volta por cima.
   Estou tentando ler mais livros de "auto aperfeiçoamento" (ou auto ajuda) sem revirar os olhos ou sentir vergonha. Não sei de onde veio esse pré-conceito que a maioria dos leitores "de verdade" tem com auto ajuda e por acaso eu absorvi. Acho que qualquer leitura é válida e estou sempre tentando tirar algo de tudo que eu leio, desde um livro de filosofia até artigo no buzzfeed sobre as kardashians.
   E nesse achei bem interessante. Ele diz que, todas as manhãs, você deveria: fazer exercícios físicos, ler, escrever (em um diário), fazer visualizações sobre sua vida, fazer afirmações positivas e meditar (ou uma atividade silenciosa como oração).
   Implementei isso em alguns dias e fiquei muito surpresa com o resultado. Produzi bem mais que o normal e quando estou indo para o trabalho me sinto bem mais acordada que antes.
   Ainda estou tentando driblar o sono de manhã, mas pretendo fazer isso todos os dias.

E é isso ai. Estou pensando numa maneira diferente de fazer isso no ano que vem e estou me empolgando
12 novembro 2017


Adoro fazer coisas temáticas, mesmo que sozinha. Em março resolvi ler só mulheres e agora em outubro resolvi ler livros de terror, crimes e "assustadores". Li quatro livros (tinha me proposto a ler também Frankenstein e Misery, que estão parados aqui, mas não terminei) com essa proposta e um quinto porque quem escreveu foi a Maggie Stiefvater. Li também o maior livro que eu já li na vida.



#63 | The Language of Thorns | Leigh Bardugo | EN
“This goes to show you that sometimes the unseen is not to be feared and that those meant to love us most are not always ones who do.”
   Comecei esse mês por esse livro que é uma coleção de contos-fábulas da Leigh Bardugo, mais precisamente do universo Grisha, que os livros dela se passam. Não é necessário ler nenhum outro livro dela para entender esse.
   São seis histórias, todas com um toque de conto de fadas sombrio. Elas são de diferentes partes do mundo e tem haver com aquela região (então uma região marítima tem lendas sobre seres marítimos). E as ilustrações. Elas vão preenchendo a página conforma a história avança e são tão lindas e cheias de detalhes que dá vontade de colocar na parede.
   Sobre as histórias: elas tem um quê de conto de fadas e até dá para traçar um viés com nossos contos de fadas. A Bela e a Fera, João e Maria, A Pequena Sereia (só consigo pensar em ah que pena seria) são alguns que dá pra lembrar. Só que tudo isso com um toque meio macabro e lições completamente diferentes das originais. Adorei.
   A escrita da autora continua melhorando a cada livro que ela lança. Estou ansiosa para os próximos lançamentos dela.

#64 | Assassinato no Expresso do Oriente | Agatha Christie | PT
"O impossível não pode ter acontecido, então o impossível deve ser possível apesar de todas as aparências. "
   Esse era o último livro que eu tinha da Agatha Christie para ler na minha estante e com certeza foi o melhor que eu li. Acho que esse e o "E Não Sobrou Nenhum" são os dois melhores livros dela que eu li, seguidos de longe pelos outros. A mulher realmente merecia os títulos de rainha do crime. Vou pesquisar outros livros dela para ler.
   Aqui temos outra aventura de Hercule Poirot, dessa vez um caso não solicitado. Enquanto ele faz uma viajem no famoso Expresso do Oriente a caminho da Europa, um assassinato é cometido enquanto o trem está parado por conta da neve, e ele acaba tendo que dar um jeito de solucionar o caso antes de chegarem na fronteira.
   O número de personagens desse livro foi grande, mas por sorte tem um mapinha com lugares do trem, nome de personagens e ocupações, então era só dar uma olhadinha quando eu me perdia.
   Eu adoro ler sobre romances policiais porque eu nunca acerto quem é o assassino. Eu sempre mudo de ideia a cada pista nova e dessa vez não foi diferente. Mas foi. Só quem ler o livro vai entender mais ou menos. Se você quiser ler um livro da Agatha Christie, recomendo esse com certeza. Vi que vai ser lançado um filme, mas pelo trailer parece bem diferente do livro. E tem o Johnny Depp (ugh). Ou seja, acho que não vou ver.

#65 | A Classic Crime CollectionEdgar Allan Poe | EN
   Depois li uma coletânia de contos e poemas do Poe. Para ser sincera, não foi tão bom quanto eu esperava. Acho que entender poemas em inglês, ainda mais com uma linguagem mais antiga, foi bem difícil e ainda não foi pra mim.
   Já alguns contos foram meio "ok"? Já tinha lido outros contos do Poe de uma edição antiga da minha mãe, mas não me lembrava o quão creepy o autor consegue ser. Não acho nem assustador, é uma coisa que você olha e pensa "esse cara com certeza tem alguns probleminhas na cabeça". Está muito mais para macabro do que para medonho.
   Queria a edição da darkside para comparações (claro haha). #mepatrocina




#66 | IT - A Coisa | Stephen King | PT
- Você sempre fala com bueiros, moço? - perguntou o garoto.
- Só em Derry - disse Bill.
   Tinha esse livro aqui desde o ano passado. Passando pela livraria do shopping um dia, vi que esse livro estava em promoção e acabei comprando. Cheguei em casa super animada para ler e li o prólogo, onde o pequeno Georgie tem seu encontro fatal com A Coisa dentro do bueiro. Calmamente coloquei o livro de volta na estante e só voltei a tirá-lo para eventuais limpezas. Mas esse ano, depois de ver o filme, decidi tentar ler o livro. É claro que uma das coisas que me impediam de ler era o tema: sou muito medrosa e fico remoendo aquilo por dias sem conseguir levantar de madrugada para ir no banheiro. E o outro fator, é claro, foi o tamanho. MIL E CEM páginas. E eu achando que Anna Karenina tinha sido longo. Só que ao contrario de Anna Karenina, essas mil e cem páginas não são tão pesadas.
   Talvez todos saibam a sinopse, mas lá vai: Na cidade de Derry coisas muito bizarras acontecem. Muitas crianças somem e tem mortes terríveis, entre eles, o irmãozinho de Bill Gago, Georgie. Ele e seus amigos são constantemente visitados por uma Coisa, algo que assume a forma do medo das crianças e as mata. Vinte e sete anos depois o ciclo de matanças começa novamente. Bill e o resto da clube dos otários precisa voltar a Derry e cumprir o pacto que fez de impedir a Coisa.
   O livro vai alternando entre a versão adulta e a infantil de nossos protagonistas, entre a primeira vez que encontram A Coisa e quase trinta anos depois, quando precisam enfrentá-la novamente.
   Acho que por ter visto o filme, que é só a parte da infância, achei fácil de identificar os personagens. Aliás, a primeira parte começa na vida adulta, e foi interessante ver como aquelas crianças do filme e suas vivencias tinham se transformado em pessoas crescidas.
   O livro não foi tão assustador quanto eu esperava. Ou melhor, a Coisa nem é a parte mais assustadora desse livro e sim toda a situação daquela cidadezinha e dos personagens. Homofobia, racismo, preconceitos, bullying (do tipo pesadíssimo).. Enfim, são coisas que te pegam de surpresa e assustam mais do que um monstro (quando você é adulto).
   A história toda é muito legal, você se sente parte do grupo e sente medo por eles e quer descobrir as coisas junto com eles. A escrita do Stephen King é muito boa. Muito mesmo. Ele tem um talento para escrever diálogos que é inacreditável. Ele realmente é um ótimo escritor e as mais de mil páginas não são difíceis de ler.
   Porém achei que a resolução ficou meio bosta. O "Sobre a escrita", o Stephen King diz que não planeja os livros, que apenas senta e escreve e não gosta da ideia de planejar o que vai acontecer numa história. Sinceramente? Acho besteira, principalmente porque acontecem essas coisas onde o final fica meio sem pé nem cabeça. E falando no final desse livro, tem uma cena MUITO tensa mesmo, não de medo, mas de nojo. Não sei como um editor leu esse livro até o final e pensou "nossa, essa cena foi totalmente necessária e nem um pouco inapropriada, acho que deu a medida certa nesse livro". Se você já leu você sabe qual que é (e se não leu e quer saber, é só procurar por "that it book scene" que você fica sabendo).  Talvez se o King sentasse e planejasse bem o final e a resolução não ia ser tão ruim o final, o que é bem triste porque a qualidade da escrita e da história é muito boa.

#67 | All The Crooked SaintsMaggie Stiefvater | EN
“I was looking for a miracle, but I got a story instead, and sometimes those are the same thing.”
   Desde que a Maggie - muito intimas - disse que iria lançar esse livro, fiquei me coçando para comprar. The Raven Cycle é uma das minhas séries preferidas de todos os tempos e a escrita da autora é uma delicia.
   O livro conta a história do povoado de Bicho Raro - o lar da família Soria. Os Sorias são uma familia um pouco diferente: fugidos do México, eles encontraram Bicho Raro e realizam milagres nos peregrinos que os buscam. Um dos membros da família, o Santo, recebe estas pessoas que desejam de livrar de sua escuridão e então realiza o milagre. Porém o milagre, na verdade, são dois. O primeiro milagre, feito pelo Santo, realiza mudanças físicas na pessoa e na maioria das vezes não é o que se espera. Então a pessoa precisa entender aquilo e seguir em frente, realizando seu próprio milagre.
   Esse primeiro milagre tem haver com os medos e com a "escuridão" desta pessoa. E eles vão desde coisas "óbvias", como o padre atraído por meninas novas que fica com a cabeça de lobo, ou o locutor de rádio que odeia sua fama e tem medo de ser visto comendo, ficar com seis metros de altura, até outros mais misteriosos, como a menina que tem borboletas no vestido que não conseguem voar porque estão muito molhadas da chuva que caí constantemente sobre a mesma menina.
   Seja como for, muitos desses peregrinos passam anos ali, sem conseguir realizar o segundo milagre. Os Soria, perseguidos por uma maldição que diz que se ajudarem os peregrinos, direta ou indiretamente, terão suas próprias "escuridões" mostradas para eles, os ignoram e continuam suas vidas complicadas.
   Eu adorei os personagens. Os três primos "principais": Joaquin "Diablo Diablo", Beatriz "a menina sem coração" e Daniel, o Santo atual, são muito legais, mas apenas os dois últimos são mais explorados. Temos também Pete, talvez a única pessoa que vai até Bicho Raro sem procurar um milagre.
   Esse livro estava causando um pequeno alvoroço antes mesmo de ser lançado. Estou começando a pegar um ranço o Goodreads e do Tumblr, porque quase sempre as pessoas fazem muito alvoroço sem nem saber direito sobre o que. A polemica em questão é a talvez "apropriação cultural" que a autora teria feito da história de mexicanos por não ser mexicana.
   Creio que não foi uma apropriação cultural, mesmo sendo latina, mas eu entendo porque algumas pessoas ficariam chateadas. Acho que no geral, essa decisão de escrever uma história sobre latinos, apenas deixou a história meio rasa. Há coisas sobre culturas que não dá para ser entendida depois de ler alguns livros. É preciso vivenciar as coisas para talvez entender. E, durante a leitura, eu não senti esse entendimento, essa profundidade.
   A autora poderia ter contado a história com uma família de outra cultura e acho que seria mais significativo - afinal toda cultura tem suas versões de milagres e santos. E no final, a conclusão da história ficou meio apressada.
   Me senti meio frustrada porque estava com expectativas altíssimas para este livro. A história segue um rumo legal, mas não foi nada que eu achasse espetacular.