viagem

6.8.18

Veneza

Esse ano eu fui para a Itália a convite do meu tio. Ele precisava de ajuda com algumas coisas por lá e nos convidou para ficar algumas semanas. Como só iamos ajudá-lo por uma semana, resolvi passear por ai com o tempo que tínhamos.

Veneza foi nossa primeira parada. Chegamos de trem e fomos para o B&B (o que acabou sendo complicado porque se guiar na cidade num primeiro momento é bem difícil), deixamos as mochilas, tomamos um café quentinho e fomos passear.





Ficamos apenas um dia e meio, o que eu achava que ia ser o suficiente, mas é óbvio que não deu para ver quase nada. A cidade é bem cheia, principalmente nos caminhos principais que levam até a ponte Rialto e à Praça São Marco. A melhor maneira de se localizar dentro da cidade é seguir essas placas que aparecem de vez em quando. Funciona melhor que Maps.



As "ruas" são desiguais: algumas são super estreitas, acabam ficando quase impossíveis de se andar por conta dos turistas, outras são super largas e vazias.Os canais são sempre presentes, a cada pouco aparece uma nova ponte para atravessar.

Quando se chega na praça São Marcos, quase dá para respirar (se não fosse pela multidão). É um espaço enorme, o centro de onde foi um dos maiores governos de toda a Europa. Uma curiosidade: O famoso Leão de Veneza pode ser visto por toda parte norte da Itália. Todas as cidades que foram dominadas por Veneza foram obrigadas a colocar estátuas no centro. Se o leão aparece com um livro embaixo da pata, é porque a dominação foi pacifica. Se tiver uma espada, é porque teve que se usar força.





O Duomo é lindo por fora, são tantos detalhes que dá para passar um dia inteiro observando. A fila para entrar, porém, era desanimadora. Estava quase chegando no mar. Decidimos voltar cedo no dia seguinte.

Acabamos nem andando muito por lá durante o primeiro dia, já era quase hora do almoço e qualquer lugar ali perto ia ser muito mais caro. Fomos andando até acharmos algum lugar um pouco mais barato, em direção a "Academia". Para ser sincera eu nem sabia direito para onde ir, apenas seguimos caminhando.







Depois de comer um lanche (e cobiçar a mussarela de búfala do vizinho), seguimos andando. Entramos em uma exposição interativa do Leonardo da Vinci bem bacana (inclusive ela existiu por todas as cidades onde passamos).

Então chegamos a uma parte bem menos movimentada perto da Universidade. Lá tudo era bem mais barato e vazio, com mais locais caminhando, tomando café e sorvete. Fiquei imaginando como deve ser morar numa cidade como Veneza, onde tem turistas de todos os cantos transbordando e você tentando apenas chegar no seu trabalho.

Inclusive quão estranho deve ser ter que pegar barcos para ir para qualquer lugar. Até mesmo o coletivo é um barco grandão, com números e rotas.




Depois de descansar um pouco, voltamos para caminhar pela cidade e jantar. Acabamos vendo o show de acrobacias aéreas comemorando o solstício de verão. Foi uma surpresa bem legal.

Continuamos a andar pela "bordinha" da ilha e achamos um lugar muito lindo para ver o pôr do sol. Faltava um pouco de vinho e tudo seria perfeito. Mas não tem muito do que reclamar.



Encontramos uma igreja gigante (nas fotos meu irmão está do lado da porta para comparação). Sério, eu acho que nunca tinha visto uma igreja tão gigante na minha vida.




No dia seguinte acordamos cedo, tomamos café e fomos para a praça são marco. Estava garoando um pouco então conseguimos pegar a praça bem vazia. Deu para caminhar bem mais fácil e entrar no Duomo sem nenhuma fila.





Lá dentro não de pode tirar fotos (apesar de muita gente ignorar as placas), mas é bem bonito. Essas igrejas são tão grandes e tão cheias de riquezas que a gente perde um pouco a noção de proporção.
Cada parte da igreja (tesouros, a tumba de São Marcos e o museu) são pagas separadamente. Para entrar na igreja não se paga nada.Vale a pena entrar no museu, no segundo andar. Muitas peças de artes diferentes, incluindo os cavalos de bronze.

Além disso, dá para ver a praça de cima. A vista é muito bonita.





Antes de ir embora passamos no palácio Ducal. O lugar também é surrealmente grande, era o lar (e a prisão) do Duque. Não que eu fosse ligar de ficar presa lá dentro: o lugar é quase maior que meu bairro.





Quero muito voltar para Veneza (rica, de preferencia) e ficar uma semana pelo menos. É lindo demais, não é fedido, como eu acreditava e é apaixonante. Quem sabe no inverno não tem menos gente?

Dicas: 
1. Perto da Universidade existem bancos e áreas para sentar. É mais vazio que perto da praça e tem algumas áreas maiores. Se você quiser comer lanche/marmita para economizar, procure alguma praça pois lá normalmente tem bancos e você pode comer sem ser incomodado.
2. Se quiser ver bem a praça, é bom chegar cedo. Fui um dia as 8:00 da manhã e estava vazio. Quando voltei as 10:00 já não dava para andar.
3. Pessoalmente não acho que vale a pena pegar o ticket do barco porque além da caro (7 uniões européias) é muito legal conhecer a cidade andando.
4. Google maps não funciona direito porque as ruas são muito estreitas. Você vai acabar se perdendo uma hora ou outra. Você pode tentar se guiar pelas plaquinhas (tem bastante da Praça São Marcos, Ponte Rialto e Ferrovia). 
5. Evite restaurantes perto dos pontos turísticos, eles são muito mais caros. Novamente: perto da universidade é mais barato.
6. Um ponto bem legal para ver o por do sol fica aqui e você pode sentar, tomar um sorvete e depois caminhar pela cidade de noite: é linda.

Veneza

6.8.18

24.9.17

turn and face the strange

Voltei a são paulo e aqui está exponencialmente mais quente do que estava quando eu sai. No começo do ano tinham dito que esse seria o inverno mais rigoroso dos últimos anos e, sem surpresas aqui, a previsão estava errada.

Eu fui viajar, uma das coisas que eu gosto muito de fazer além de ler, dormir e comer. Fui à Santiago e não sei explicar o quanto essa cidade me surpreendeu.Eu não esperava muito, é verdade, mas a cidade é extremamente limpa, as pessoas são simpáticas e te ajudam com tudo e tudo, no geral, é muito bonito e organizado. Me parece São Paulo, se fosse bem cuidada e cheia de parques.

(isso é uma das coisas que eu odeio em são paulo: a falta de parques urbanos e a dificuldade de acesso aos parques existentes. mas isso é um assunto para outro post.)

Não sei muito bem o que falar sobre minha viagem. achei que ia ser tempo demais, mas poderia ter ficado mais um mês, caso eu tivesse dinheiro o suficiente. Para ser sincera eu ficaria o resto da minha vida, se eu pudesse. Essa foi a viagem onde muitas coisas não ocorreram como eu achava. Achei que ia estar mais frio, mas a temperatura estava boa. Achei que ia ter uma companheira, mas acabei experimentando o tipo de solidão que eu não gosto (do tipo em que você não escolheu ficar sozinho - só foi trocado por algo mais legal). Achei que seria mais do mesmo, mas acabou que foi bem diferente de tudo que eu já fiz.

Essa foi minha primeira viagem sem meus pais ou "responsáveis" - uma viagem longa, para outro país aonde eu não sabia falar o idioma, aonde eu precisaria tomar minhas próprias decisões e me virar.

Na terapia a gente precisa pensar em algumas coisas que são difíceis e para mim uma delas é fazer as coisas por conta própria. Ou melhor, por iniciativa própria. mais cedo esse ano eu percebi que quase tudo que eu fiz na vida de diferente foi porque outras pessoas me forçaram a fazer. Só tirei a carta e comecei a dirigir porquê meu pai não parava de me encher. eu me formei e trabalho em áreas relativamente seguras para mim, porquê ninguém me forçou a fazer o que eu realmente queria.

A viagem me fez refletir bastante sobre isso e a agir. Quando as coisas davam errado eu precisava me virar e continuar - não tinha ninguém para arrumar por mim. Foi assustador (não só pela experiencia nova, mas porque a situação que eu passei foi bem assustadora e eu achei que ia morrer. Um dia conto sobre isso. Não peguem taxis em santiago).

Quando eu desci do avião dez dias depois de sair, eu não era a mesma pessoa. Isso é clichê demais, mas é a verdade, no meu caso. Não que eu tenha mudado drasticamente, mas uma pequena mudança aconteceu dentro de mim. Revirei os olhos ao reler isso, mas é engraçado. Mesmo a companhia (ruim) surtiu um efeito em mim. E a vontade de voltar a vida normal ficou cada vez menor.

Mas a vida segue. E, um dia, vou voltar à Santiago.

Vou dar algumas dicar aqui porque consegui várias dicas legais em blogs por ai: a melhor agencia que contatei foi a Indo ao Chile. É mais caro, mas vale a pena. A pior foi a AlphaTur, que contratamos em uma casa de cambio e trocaram o horário do passeio sem nos avisar. Acabamos perdendo o passeio e quase uma manhã toda.

Já falei mas vale repetir: não peguem táxis. Vão a pé, chama um uber, cabify, aprendam a voar, mas não peguem táxis. O metro é muito bom, mas você precisa comprar o bilhete pra aquele horário, então não compre adiantado. Se quiser usar ônibus, você precisa do cartão BIP, que também pode ser usado para o metro.

Vale a pena conhecer os pontos turísticos. Cerros, pátio bella vista, bairro Lastarria. Seja turista. Outros que eu não tinha ouvido falar mas valem a pena: Biblioteca Nacional (linda mesmo!) e o restaurante Barandiarán, que fica ao lado do Como Agua para Chocolate (que não fui e ainda por cima fomos quase jogadas para fora) e é muito delicioso. E vale muito a pena ir na casa do Neruda. Meu arrependimento foi não ter ido a todas as casas dele. Faça tudo isso a pé. Santiago é plana e dá para caminhar muito e olhar tudo.

Aliás sobre os "arredores": Valparaíso e Viña del Mar são lindos, mas vai ser muito difícil fazer tudo sozinho. Se quiser pegar um ônibus até a cidade e fazer um city tour é legal, senão fechar um pacote também é uma boa (acho que com a Indo para o Chile ia ser muito legal! Fui com a AlphaTur e não gostei muito, apenas o guia que é muito legal, mas o resto foi chatinho e tivemos que almoçar num restaurante pré-definido que foi caro e não tão bom).

Aluguei um airbnb no centro e fiquei com medo de ser meio perigoso, mas na verdade foi bem tranquilo. Segundo os chilenos que conheci eles é muito difícil ter assaltos a mão armada, o que é uma realidade para brasileiros. O airbnb ficou barato e deu para cozinhar, apesar de seus problemas (aka: banheiro que inundava).

No geral as pessoas são muito legais e vão tentar te ajudar sempre que possível. É raro gente que fala inglês, mas um portunhol já dá pra se virar. Uma coisa que fiquei chocada é o quão rápido os chilenos falam, fora as inúmeras gírias que usam cachai? Entendo espanhol bastante bem e tive muitas dificuldades. Se eles não quiserem que você os entenda, você não vai entender.

A definição de surra de fotos foi atualizada:

























 (todos vem as viagens que eu faço mas não vem a farofa que eu preciso fazer pra viajar)










































turn and face the strange

24.9.17

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